domingo, 1 de novembro de 2026

A Travessia de Mulheres Que Correm Com os Lobos e o Tarot!


 O guia na travessia: quando a psique desce ao desconhecido!

Em A Donzela sem Mãos, Clarissa Pinkola Estés apresenta uma imagem recorrente nas antigas histórias de iniciação: quando alguém precisa atravessar um território desconhecido, quase sempre existe uma figura que conhece alguma coisa daquele caminho.

Dante teve Virgílio.

Coatlicue teve uma serpente viva que a acompanhou ao mundo de fogo.

A Donzela sem Mãos tem o espírito de branco.

Não são personagens idênticos, nem pertencem à mesma tradição. O que os aproxima é sua função simbólica: acompanhar uma travessia.

Na história da Donzela, isso se torna especialmente claro diante do fosso que circunda o pomar. O espírito de branco abre a passagem, mas não atravessa pela jovem. Ela continua responsável pelo próprio caminho.

Essa imagem é fundamental para compreendermos o que significa um guia no processo de transformação.

O guia não é aquele que oferece todas as respostas.

É aquele que ajuda a conservar o discernimento quando entramos em territórios onde nossos mapas habituais já não funcionam.

Clarissa compara o mundo subterrâneo às profundezas do inconsciente: um território cheio de imagens, arquétipos, desejos, medos, fascínio e possibilidades de transformação. Nem tudo que surge dessas profundezas precisa ser seguido literalmente. É necessário aprender a olhar, interpretar e atravessar.

Por isso, o verdadeiro guia não substitui nossa consciência. Ele ajuda a desenvolvê-la.

No Tarot, encontramos algo semelhante na figura do Eremita. Ele segura uma lanterna, mas sua luz não ilumina toda a estrada de uma vez. Mostra apenas o suficiente para o próximo passo.

Talvez seja exatamente assim que certas orientações chegam.

Não como um mapa completo.

Como uma pequena luz.

Uma percepção.

Um conselho.

Uma imagem.

Uma sincronicidade.

Uma conversa capaz de abrir uma passagem que antes não conseguíamos enxergar.

E há algo ainda mais importante: com o amadurecimento, começamos a reconhecer dentro de nós uma função semelhante.

A capacidade de parar.

Escutar.

Discernir.

Perceber quando avançar e quando esperar.

Talvez seja esse o verdadeiro aprendizado do encontro com o guia: não permanecer eternamente dependente dele, mas desenvolver gradualmente uma relação mais consciente com nossa própria orientação interior.

Há travessias que precisam ser nossas.

Mas as antigas histórias parecem nos lembrar que isso não significa que precisemos entrar no escuro sem nenhuma luz.

O guia não percorre o caminho por nós.
Ele apenas ilumina o suficiente para que possamos continuar caminhando.

a perambulação pode estar relacionada com o luto?

Sim, bastante. A perambulação pode ser lida como uma imagem muito forte do luto, embora Clarissa não reduza esse estágio ao luto propriamente dito.

O que aproxima os dois é justamente a experiência de estar entre mundos. No luto, algo terminou de verdade — uma pessoa morreu, uma relação acabou, um papel deixou de existir, uma fase da vida se encerrou — mas a nova organização interna ainda não aconteceu. A pessoa já não consegue voltar à vida exatamente como era antes, porém ainda não sabe como será a vida depois. Isso é muito parecido com a Donzela: o mapa antigo não serve mais e o novo ainda não foi desenhado.

E Clarissa amplia isso para várias formas de passagem: deixar a casa dos pais, terminar um relacionamento, mudar de uma etapa da vida para outra, atravessar mudanças de identidade. Ela chega a falar nesses movimentos como imagens de morte e ressurreição.

Por isso eu separaria dois tipos de luto:

Luto concreto: morte de alguém, separação, perda de trabalho, perda de saúde, mudança brusca de vida.

Luto simbólico: perceber que uma versão de nós mesmas acabou. A mulher que eu era naquele casamento, naquela idade, naquela profissão, naquela família ou antes de determinada experiência já não existe da mesma maneira.

E esse segundo pode ser muito confuso, porque às vezes não há funeral para aquilo que morreu dentro de nós. Mesmo assim existe saudade, desorientação, raiva, vazio e necessidade de reconstrução.

A perambulação traduz muito bem isso: continuar andando enquanto ainda não sabemos quem seremos depois da perda.

Para a roda, eu colocaria assim:

“A perambulação também pode se parecer muito com o luto: algo terminou, já não conseguimos voltar à vida como ela era, mas ainda não sabemos quem seremos depois dessa perda. É o tempo entre uma identidade que morreu e outra que ainda está nascendo.”

E isso conversa lindamente com o restante do terceiro estágio: a fome, a procura por um novo alimento, o vento e a estrada como novos mestres e, depois, o maná que aparece não para apagar a perda, mas para nos dar alimento suficiente para continuar.

A mulher que entra no segundo nigredo já não é a mesma que entrou no primeiro.= essa frase está certa? nigredo não é fase? fase é feminino

Você está certa em estranhar. “No segundo nigredo” não é a melhor forma.

Como nigredo é tradicionalmente tratado no feminino — e ainda estamos falando de uma fase alquímica — o mais natural é dizer:

“A mulher que entra na segunda nigredo já não é a mesma que entrou na primeira.”

Mas, para ficar ainda mais claro e elegante no texto da roda, eu prefiro:

“A mulher que entra na segunda fase de nigredo já não é a mesma que entrou na primeira.”

Ou, mais fluido:

“Quando a mulher retorna à nigredo, ela já não é a mesma que atravessou a primeira descida.”

Essa última me parece a mais bonita, porque evita parecer que existem “duas nigredos fixas”; reforça a ideia de que ela retorna a uma fase semelhante do ciclo, mas em outro nível de consciência.

No Tarot, essa imagem do guia encontra um eco especial no Eremita. Sua lanterna não ilumina toda a estrada, apenas o suficiente para o próximo passo. Talvez seja justamente isso que um verdadeiro guia faça: não percorre o caminho por nós, não elimina a escuridão e não entrega todas as respostas — apenas oferece luz suficiente para que possamos continuar.

A Lua pode representar esse território profundo, incerto e simbólico que atravessamos; o Eremita, a consciência que nos ajuda a não nos perder dentro dele. E a Morte, quando aparece nesse percurso, lembra que algumas travessias exigem que uma antiga forma de ser termine para que outra possa nascer.

No fim, talvez a questão não seja encontrar alguém que conheça todo o caminho, mas reconhecer aquilo que, em determinado momento, consegue iluminar o próximo passo.

Para uma consulta de Tarot comigo, chamar somente no whatsapp!

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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sábado, 31 de outubro de 2026

Halloween!

 

Especial de Halloween no Tarot — A Lua, A Morte e A Sacerdotisa!

O Halloween é cercado por imagens de noite, mistério, silêncio, transformação e tudo aquilo que existe entre o conhecido e o desconhecido.

No Tarot, alguns arcanos conversam profundamente com essa atmosfera.

Não porque sejam cartas “assustadoras”, mas porque falam justamente de momentos em que a vida nos pede outra forma de olhar.

Neste Halloween, três arcanos podem nos acompanhar nessa reflexão:

A Lua.
A Morte.
A Sacerdotisa.

A Lua — quando nem tudo está claro!

A Lua fala de caminhos que ainda não conseguimos enxergar completamente.

Ela pode representar dúvidas, medos, percepções confusas, conteúdos do inconsciente e situações em que a razão não consegue organizar tudo imediatamente.

É uma carta que nos lembra que nem sempre temos todas as respostas.

E isso pode ser desconfortável.

Queremos saber.

Queremos ter certeza.

Queremos controlar o próximo passo.

Mas existem fases da vida em que precisamos caminhar mesmo sem enxergar todo o caminho.

A Lua pergunta:

O que estou sentindo, mas ainda não consigo explicar?

Talvez seja um desconforto.

Uma intuição.

Um medo.

Uma sensação de que algo está diferente.

Nem tudo aquilo que sentimos precisa ser imediatamente compreendido.

Às vezes primeiro sentimos.

Depois entendemos.

A Morte — aquilo que precisa terminar!

Poucas cartas provocam tanta reação quanto A Morte.

Mas seu simbolismo não precisa ser entendido literalmente.

Ela fala principalmente de fim de ciclo, desapego, transformação e passagem.

Existem momentos em que algo precisa terminar para que a vida possa continuar de outra forma.

Pode ser uma relação.

Uma maneira de pensar.

Um hábito.

Uma identidade antiga.

Uma expectativa.

Uma versão de nós mesmas que já cumpriu sua função.

Às vezes tentamos prolongar aquilo que já terminou internamente.

E isso também produz sofrimento.

A Morte pergunta:

O que já terminou em minha vida, mas eu ainda estou tentando manter?

Nem todo final é fracasso.

Alguns finais são apenas o reconhecimento de que determinada forma de viver não nos serve mais.

A Sacerdotisa — o silêncio que sabe!

Se A Lua nos leva ao mistério e A Morte nos fala de transformação, A Sacerdotisa nos convida ao silêncio.

Ela representa uma sabedoria que não precisa aparecer imediatamente em palavras.

Existe conhecimento que nasce da observação.

Da espera.

Da intuição.

Daquilo que percebemos antes mesmo de conseguir explicar.

A Sacerdotisa não se apressa.

Ela observa.

Escuta.

Espera o momento certo.

E isso pode ser muito difícil em uma época em que sentimos que precisamos ter respostas rápidas para tudo.

Ela pergunta:

O que eu já sei profundamente, mas ainda não tive coragem de admitir para mim mesma?

Talvez essa seja uma das perguntas mais poderosas que podemos fazer.

Porque muitas vezes não estamos procurando uma resposta.

Estamos procurando coragem para reconhecer aquilo que já percebemos.

Três arcanos, um mesmo movimento!

A Lua nos coloca diante do desconhecido.

A Morte mostra que alguma coisa precisa mudar.

E A Sacerdotisa nos convida a escutar antes de agir.

Juntas, essas cartas contam uma história muito humana:

primeiro sentimos que algo não está claro; depois percebemos que uma transformação está acontecendo; e, finalmente, precisamos silenciar para compreender o que essa mudança está pedindo de nós.

Talvez o Halloween nos lembre exatamente disso.

Nem toda escuridão é ausência.

Algumas são espaços de gestação.

Nem todo fim é destruição.

Alguns são passagem.

Nem todo silêncio é vazio.

Alguns guardam respostas.

E o que isso tem a ver com você?

Talvez você esteja vivendo um momento em que não consegue compreender completamente o que está acontecendo.

Talvez alguma coisa esteja chegando ao fim.

Talvez exista uma decisão que você ainda não sabe como tomar.

Ou talvez você apenas sinta que sua vida está pedindo uma mudança.

O Tarot pode ajudar a trazer clareza para aquilo que hoje parece confuso, mostrando aspectos da situação que talvez estejam difíceis de perceber sozinha.

Não para decidir por você.

Mas para ajudar você a compreender melhor o momento que está vivendo.

Quer olhar com mais profundidade para uma situação da sua vida?

Se você está atravessando uma fase de dúvidas, mudanças, relacionamentos ou decisões e sente que precisa enxergar sua situação por outro ângulo, podemos olhar juntas através do Tarot.

Para agendar sua consulta comigo, fale comigo somente pelo WhatsApp.

Que este Halloween seja um convite para olhar com menos medo para aquilo que está mudando.

Porque, às vezes, o que parece escuridão é apenas uma parte da nossa história que ainda não foi iluminada.

Feliz Halloween.

Para agendar sua consulta comigo, fale comigo somente pelo WhatsApp.

Nossa Próxima Roda Terapêutica está com inscrições abertas!

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Tarot e as Mãos Que Sentem de Mulheres Que Correm Com os Lobos!

 


As mãos que sentem: percepção, transmissão e o antigo mistério do toque!

Há uma imagem em A Donzela sem Mãos que pode parecer simples até percebermos tudo o que está escondido dentro dela.

As mãos.

Clarissa Pinkola Estés dedica um trecho especialmente bonito de sua interpretação ao poder simbólico das mãos e afirma que elas não funcionam apenas como receptoras, mas também como transmissoras.

A frase abre uma porta enorme.

Porque normalmente pensamos nas mãos como instrumentos de ação. São elas que pegam, fazem, constroem, escrevem, trabalham e transformam a matéria. Mas, simbolicamente, a mão também percebe.

Ela toca o mundo e o mundo toca de volta.

Clarissa lembra que conseguimos perceber muito através de um abraço, de um aperto de mão, de um toque sobre o ombro. Intensidade, duração, pressão, calor: o corpo recolhe informações antes mesmo que o pensamento consiga explicá-las.

É como se a mão tivesse sua própria inteligência.

Isso ajuda a compreender por que tantas tradições humanas atribuíram às mãos um lugar sagrado.

Mãos são erguidas para abençoar.

São colocadas sobre alguém durante rituais.

São voltadas para imagens sagradas.

São desenhadas em paredes e cavernas.

São usadas para proteger, receber, oferecer e consagrar.

Clarissa percorre justamente algumas dessas imagens: as mãos que parecem receber luz nas representações religiosas mediterrâneas, as palmas da Virgem de Guadalupe voltadas para quem a observa e a antiga marca de uma mão vermelha navajo associada à ideia de segurança.

Muito antes de discutirmos energia, espiritualidade ou terapias, o ser humano já parecia saber simbolicamente que as mãos carregam presença.

E é nesse ponto que encontramos uma interessante aproximação com o Reiki.

Clarissa não menciona Reiki e não devemos colocar suas palavras dentro de uma tradição específica que ela não nomeia. Mas quem conhece a prática reconhece imediatamente a ressonância.

No Reiki, a imposição das mãos ocupa um lugar central.

Mas talvez o aspecto mais interessante não esteja em pensar nas mãos como ferramentas mágicas.

Está em pensar nelas como um ponto de encontro.

A mão recebe.

A mão transmite.

A mão percebe.

A mão oferece presença.

E existe uma diferença importante entre tocar alguém querendo controlar aquilo que está acontecendo e aproximar-se com disponibilidade para acompanhar.

Talvez essa seja uma das formas mais antigas de cuidado.

Quando uma criança se machuca, muitas vezes sua primeira reação é procurar uma mão conhecida.

Quando alguém recebe uma notícia difícil, seguramos sua mão.

Quando uma pessoa está doente, tocar suavemente seu braço pode comunicar mais do que uma longa tentativa de encontrar as palavras certas.

O gesto parece dizer:

“Eu continuo aqui.”

E talvez essa seja uma das mensagens mais profundas transmitidas pelas mãos.

Mas em A Donzela sem Mãos existe também o outro lado desse símbolo.

As mãos são cortadas.

E, simbolicamente, isso significa muito mais do que uma mutilação corporal.

A Donzela perde temporariamente sua capacidade habitual de pegar, segurar, proteger, agir, consolar e interferir diretamente sobre aquilo que acontece.

É uma imagem radical de impotência.

Quem nunca viveu uma fase assim?

Há situações em que nossas “mãos psíquicas” parecem desaparecer.

Não conseguimos controlar.

Não conseguimos resolver.

Não conseguimos salvar.

Não conseguimos simplesmente estender o braço e recolocar tudo no lugar.

E talvez a vida faça isso conosco algumas vezes exatamente porque passamos anos acreditando que força significa capacidade de controlar tudo.

A Donzela terá de descobrir outra força.

Primeiro, ela precisará aprender a continuar existindo mesmo quando suas ferramentas habituais já não estão disponíveis.

Essa imagem também transforma a nossa compreensão do cuidado.

Porque muitas vezes confundimos cuidado com solução.

Queremos tirar a dor de quem amamos.

Resolver o problema.

Encontrar a resposta.

Dar o conselho certo.

Mas existem sofrimentos diante dos quais nossas mãos não têm o poder de mudar aquilo que aconteceu.

E ainda assim elas podem permanecer.

Talvez seja aí que a presença adquira um significado quase sagrado.

Uma mão não precisa resolver para acolher.

Não precisa explicar para confortar.

Não precisa modificar a realidade para dizer:

“Você não está sozinho.”

No Tarot, a mão também aparece constantemente como símbolo de manifestação e relação com o mundo.

O Mago direciona forças e transforma intenção em ação.

A Imperatriz toca a dimensão fértil e sensorial da existência.

A Força aproxima suas mãos do animal sem destruí-lo, numa relação em que poder não significa violência, mas presença consciente diante do instinto.

E talvez seja justamente essa última imagem que mais dialogue com o que Clarissa está nos mostrando.

A mão que realmente possui força não precisa esmagar.

Ela sabe tocar.

Também podemos pensar na própria prática de abrir as cartas.

Em algum momento, nossas mãos embaralham.

Cortam o baralho.

Escolhem.

Viramos uma carta.

Há uma inteligência corporal nesse ritual que muitas vezes passa despercebida.

Não porque a mão necessariamente “saiba o futuro”, mas porque o ato de tocar cria participação.

Nós deixamos de ser observadores distantes e entramos fisicamente no símbolo.

Talvez seja por isso que tantas práticas espirituais envolvam as mãos.

Elas fazem a ponte entre o invisível e o concreto.

Entre aquilo que sentimos internamente e aquilo que conseguimos oferecer ao mundo.

Mas existe uma pergunta ainda mais importante.

Se nossas mãos transmitem, o que estamos transmitindo através delas?

Isso vale para uma sessão de Reiki.

Vale para uma leitura de Tarot.

Vale para um abraço.

Vale para um cuidado.

Vale para qualquer encontro humano.

Estamos transmitindo ansiedade ou presença?

Necessidade de controlar ou capacidade de acompanhar?

Medo ou segurança?

Julgamento ou acolhimento?

Talvez a verdadeira espiritualidade das mãos comece justamente nessa consciência.

Não na fantasia de que podemos controlar a vida do outro, mas no reconhecimento de que nossa maneira de estar diante dele já é uma forma de comunicação.

Clarissa nos leva ainda mais fundo quando mostra que retirar as mãos da Donzela significa afastá-la temporariamente de sua capacidade de sentir, cuidar e curar da forma conhecida.

Isso nos faz perceber algo curioso.

Às vezes, antes de recuperarmos nossas mãos simbólicas, precisamos descobrir quem somos sem elas.

Quem somos quando não conseguimos resolver?

Quem somos quando não podemos controlar?

Quem somos quando não temos resposta?

Quem somos quando tudo o que podemos oferecer é presença?

Talvez seja justamente aí que comece outra forma de poder.

Menos ruidosa.

Menos ansiosa.

Menos preocupada em demonstrar força.

Uma força que consegue simplesmente estar.

E talvez seja por isso que o mistério das mãos tenha atravessado tantos séculos, tantas culturas e tantas formas de espiritualidade.

Porque a mão é uma fronteira.

É onde terminamos e começamos a encontrar o outro.

Ela recebe o mundo pela pele.

E também devolve algo ao mundo através do toque.

Talvez o Reiki tenha preservado, à sua maneira, uma intuição muito antiga: há momentos em que colocar as mãos não significa fazer mais, mas estar mais presente.

E talvez essa seja a pergunta que valha guardar:

Quando minhas mãos tocam o mundo, o que elas estão levando de mim?

Consulta de Tarot somente chamar no Whatsapp por favor!

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Perder a Inocência Sem Perder a Alma = Mulheres Que Correm Com os Lobos e o Tarot

 

Perder a inocência sem perder a alma!

“Nenhum ente senciente neste mundo tem a permissão de permanecer inocente para sempre.”

Há frases que atravessamos rapidamente.

E há frases que nos obrigam a parar.

Essa é uma delas.

Quando Clarissa Pinkola Estés escreve que nenhum ser senciente tem permissão para permanecer inocente para sempre, ela toca numa questão muito maior do que simplesmente “crescer” ou “amadurecer”.

Ela fala sobre o momento em que já não podemos continuar vivendo como se não soubéssemos.

E talvez esse seja um dos grandes desafios da vida adulta.

Porque perder a inocência não significa necessariamente perder a bondade.

Não significa tornar-se amarga.

Não significa desconfiar de tudo.

Muito menos perder a capacidade de amar.

A verdadeira questão talvez seja outra:

Como deixar de ser ingênua sem deixar de ser sensível?

O que significa ser senciente?

A palavra “senciente” pode parecer complicada, mas a ideia é simples.

Um ser senciente é aquele que sente, percebe, experimenta e é afetado pelo que acontece.

E se somos capazes de sentir e perceber, também somos inevitavelmente transformados pela experiência.

É impossível viver sem que a vida nos mostre coisas que preferiríamos não ter visto.

Em algum momento descobrimos que as pessoas podem decepcionar.

Que algumas relações terminam.

Que nem sempre a justiça acontece no tempo que gostaríamos.

Que existem perdas que não podem ser evitadas.

Que pessoas boas também sofrem.

Que quem amamos pode errar.

Que nós mesmas erramos.

E descobrimos também coisas maiores.

Violência.

Guerras.

Desigualdades.

Abandono.

Preconceitos.

Manipulações.

Abusos de poder.

Sofrimentos que acontecem perto de nós e outros que chegam através das telas todos os dias.

Aos poucos, aquela ideia infantil de que o mundo deveria funcionar de determinada maneira começa a se desfazer.

E talvez seja disso que Clarissa esteja falando.

Existe um momento em que a inocência precisa dar lugar à consciência.

A inocência diz: “Eu não sabia”

Durante algum tempo, não saber é natural.

Faz parte da infância.

Faz parte da juventude.

Faz parte também de determinadas etapas da nossa vida.

Não conhecemos ainda.

Não percebemos.

Não tivemos experiência suficiente.

Mas chega um momento em que alguma coisa nos é revelada.

E, depois disso, já não conseguimos voltar exatamente ao lugar anterior.

A inocência pode dizer:

“Eu não sabia.”

A consciência precisa perguntar:

“Agora que eu sei, o que faço com aquilo que sei?”

Essa talvez seja a grande diferença.

Porque conhecer alguma coisa também produz responsabilidade.

A Donzela sem Mãos e o fim da ingenuidade!

No conto A Donzela sem Mãos, estudado por Clarissa Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos, a jovem passa por uma profunda transformação.

No início da história, muitas decisões importantes acontecem ao redor dela antes que ela consiga compreender completamente aquilo que está acontecendo.

O pai faz um pacto.

Ela é envolvida pelas consequências.

Perde as mãos.

É obrigada a abandonar uma vida conhecida.

E precisa iniciar uma longa jornada.

Podemos ler tudo isso literalmente como um conto fantástico.

Mas podemos também enxergar a dimensão simbólica.

A Donzela representa aquela parte da mulher que ainda não conhece totalmente a própria força.

Que ainda depende das referências externas.

Que ainda não percebe todos os perigos.

Que ainda acredita que poderá permanecer protegida dentro do mundo conhecido.

Mas a vida rompe essa proteção.

E então começa outra etapa.

Ela precisa aprender a reconhecer.

A perceber.

A escolher.

A caminhar.

Em outras palavras:

ela precisa perder a inocência para adquirir consciência.

Mas perder a inocência não significa perder a alma!

Esse ponto é fundamental.

Porque existe uma maneira destrutiva de perder a inocência.

É quando uma pessoa sofre e conclui:

“Não confio mais em ninguém.”

“Todo mundo quer alguma coisa.”

“Amar é ser fraco.”

“Preciso endurecer.”

“Não posso sentir.”

Nesse caso, a experiência não produziu apenas consciência.

Produziu uma armadura.

E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

Consciência nos ajuda a perceber melhor.

A armadura nos impede de sentir.

Consciência cria discernimento.

A armadura cria medo.

Consciência permite colocar limites.

A armadura constrói muros.

Talvez o verdadeiro amadurecimento esteja justamente em conseguir dizer:

“Agora eu enxergo mais, mas não preciso me tornar menos humana por causa disso.”

Talvez amadurecer seja perder a ingenuidade, não a ternura

Essa é uma distinção que considero importante.

Podemos perder a ingenuidade e continuar sendo generosas.

Podemos compreender que existem pessoas manipuladoras e continuar acreditando em relações saudáveis.

Podemos reconhecer injustiças e continuar escolhendo agir com ética.

Podemos aprender a colocar limites sem perder a capacidade de acolher.

Podemos reconhecer a escuridão sem permitir que ela defina quem somos.

Isso exige maturidade.

Porque às vezes é mais fácil permanecer ingênua.

E outras vezes é mais fácil tornar-se dura.

O caminho intermediário exige consciência.

É saber que existem lobos sem precisar transformar todo mundo em lobo.

E talvez isso seja especialmente importante para as mulheres!

Durante muito tempo, a feminilidade foi associada à docilidade, à ingenuidade e ao silêncio.

A mulher considerada “boa” deveria saber menos.

Perguntar menos.

Desconfiar menos.

Confrontar menos.

Perceber menos.

Muitas mulheres aprenderam desde cedo a ignorar sinais que o próprio corpo e a própria intuição percebiam.

“Não pense isso.”

“Você está exagerando.”

“Seja educada.”

“Não faça confusão.”

“Talvez você tenha entendido errado.”

E aos poucos uma mulher pode aprender a desconfiar daquilo que percebe.

Clarissa trabalha justamente na direção contrária.

A mulher selvagem é aquela que recupera o instinto de perceber.

Ela fareja.

Observa.

Escuta.

Reconhece.

Não porque se torna paranoica.

Mas porque deixa de abandonar a própria percepção.

E isso muda tudo.

O conhecimento também cobra uma posição!

Talvez uma das partes mais desconfortáveis da consciência seja essa.

Depois que sabemos determinadas coisas, já não podemos fingir que não sabemos.

Isso vale para a nossa própria vida.

Quando reconhecemos que uma relação nos machuca.

Quando percebemos que determinado comportamento se repete.

Quando entendemos que estamos nos abandonando para agradar alguém.

Quando reconhecemos que determinada escolha já não combina conosco.

Podemos adiar uma decisão.

Podemos tentar esquecer.

Podemos racionalizar.

Mas alguma coisa dentro de nós já sabe.

E esse conhecimento muda a nossa relação com a própria vida.

E existe também uma consciência coletiva

Essa frase ganha ainda mais força quando olhamos para o mundo atual.

Vivemos cercados por informação.

Vemos acontecimentos praticamente em tempo real.

Chegam até nós guerras, crises, desigualdades, violência, intolerância e inúmeros conflitos humanos.

Nunca estivemos tão expostos àquilo que acontece fora do nosso pequeno círculo.

Mas isso cria um paradoxo.

Podemos saber muito e, ao mesmo tempo, compreender muito pouco.

Podemos consumir dezenas de notícias e permanecer anestesiados.

Podemos assistir ao sofrimento como quem passa rapidamente para o próximo conteúdo.

Por isso, consciência não é apenas receber informação.

Consciência exige elaboração.

Perguntar.

Pensar.

Comparar.

Investigar.

Reconhecer complexidades.

Não aceitar automaticamente tudo aquilo que nos é apresentado.

E, principalmente, perceber qual é a nossa responsabilidade diante daquilo que conhecemos.

Não precisamos carregar o mundo inteiro

Consciência não significa assumir todos os problemas existentes.

Ninguém conseguiria.

Não temos capacidade emocional para responder a todas as dores do mundo.

Também precisamos preservar nossa saúde, nossas relações, nosso cotidiano e nossa capacidade de alegria.

Mas há uma diferença entre reconhecer nossos limites e escolher deliberadamente a indiferença.

Talvez amadurecer seja aprender essa medida.

Não carregar tudo, mas também não fingir que nada nos diz respeito.

O Tarot também fala sobre a perda da inocência!

Podemos fazer uma aproximação simbólica com o Tarot.

No início da jornada está O Louco.

Ele caminha aberto para a experiência.

Existe liberdade, espontaneidade, confiança.

Mas também existe aquilo que ainda não foi experimentado.

O Louco precisa caminhar.

E ao longo dos Arcanos encontra escolhas, perdas, desejos, limites, rupturas, medos e transformações.

Encontra Os Enamorados, A Justiça, O Enforcado, A Morte, A Torre, A Lua.

Não é mais possível permanecer exatamente com o mesmo olhar do início.

Mas a jornada não termina no cinismo.

Ela caminha em direção ao Sol, ao Julgamento e ao Mundo.

Ou seja:

a consciência adquirida durante a jornada pode nos devolver à vida de uma maneira diferente.

Não mais inocentes.

Mas talvez mais inteiros.

Ver sem endurecer!

Talvez esse seja um dos maiores desafios do nosso tempo.

Ver sem endurecer.

Compreender sem perder a capacidade de sentir.

Reconhecer o mal sem esquecer que também existe beleza.

Enxergar as contradições humanas sem desistir completamente das pessoas.

Perder certas ilusões sem perder a esperança.

Porque existe uma diferença entre esperança e ingenuidade.

A ingenuidade acredita que nada ruim acontecerá.

A esperança sabe que coisas ruins acontecem e, ainda assim, escolhe continuar construindo alguma coisa.

Talvez essa seja uma forma muito mais madura de esperança.

Depois que sabemos, o que fazemos?

Existe um momento da vida em que algumas perguntas mudam.

Deixamos de perguntar apenas:

“Por que isso aconteceu?”

E começamos a perguntar:

“Agora que aconteceu, o que farei com isso?”

Deixamos de perguntar:

“Por que ninguém me contou?”

E começamos a perguntar:

“Agora que sei, como vou viver?”

Talvez seja exatamente esse movimento que existe por trás da frase de Clarissa.

Nenhum ser capaz de sentir e perceber pode permanecer inocente para sempre porque a própria experiência nos transforma.

A questão não é evitar essa transformação.

A questão é escolher o que faremos com ela.

Podemos transformar conhecimento em medo.

Podemos transformá-lo em amargura.

Podemos transformá-lo em indiferença.

Ou podemos transformá-lo em discernimento.

Em limite.

Em responsabilidade.

Em coragem.

Em humanidade.

Talvez amadurecer seja justamente isso:

perder a inocência sem perder a alma.

E talvez exista uma pergunta que valha a pena levar conosco:

Depois que sabemos, ainda podemos continuar vivendo como se não soubéssemos?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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