terça-feira, 27 de outubro de 2026

Os Arcanos e as Deusas do Barro!

 

Deusas do Barro: a Mulher de Lama e os Arcanos 

da transformação!

Há momentos em que a vida nos tira da superfície.

Aquilo que parecia organizado começa a perder forma. As certezas diminuem. Algumas relações deixam de fazer sentido. O que antes conseguíamos sustentar já não cabe mais em nós.

E, de repente, aquela imagem de mulher que sempre soube o que fazer, que cuidava de tudo, que mantinha a rotina e seguia em frente começa a se desfazer.

É nesse território que encontramos uma das imagens mais fortes de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés: a Mulher de Lama, presente na análise do conto A Donzela sem Mãos.

No conto, o predador acredita que poderá enfraquecer a donzela retirando dela aquilo que chama de sua “camada civilizada”.

Se ela não puder se banhar, se ficar suja, desgrenhada, longe da aparência organizada que possuía antes, talvez perca também sua força.

Mas acontece justamente o contrário.

Quanto mais a jovem se aproxima da terra, da lama e de sua condição selvagem, mais distante ela fica do domínio do predador.

Aquilo que parecia degradação se transforma em aproximação de uma natureza mais profunda.

E essa passagem possui uma relação impressionante com o Tarô.

Porque os Arcanos também conhecem a linguagem das grandes transformações.

Eles sabem que nem todo caminho espiritual começa na luz.

Alguns começam justamente quando precisamos entrar na floresta.

A Mulher de Lama e A Lua!

Se existe uma carta capaz de nos conduzir ao território da Mulher de Lama, ela é A Lua.

A Lua não ilumina o caminho como o Sol.

Sua luz é indireta.

Ela revela apenas partes.

Cria sombras.

Desperta sensações.

Traz sonhos, memórias, pressentimentos e conteúdos que estavam escondidos sob a superfície.

Quando A Lua aparece em uma leitura, muitas vezes não temos todas as respostas.

Existe algo acontecendo, mas ainda não conseguimos nomear completamente.

É um território muito semelhante à floresta subterrânea apresentada por Clarissa.

Entrar nesse espaço significa aceitar que nem tudo será compreendido imediatamente pela razão.

É preciso desenvolver outro tipo de percepção.

Sentir.

Observar.

Sonhar.

Escutar o corpo.

Perceber aquilo que nos inquieta mesmo quando aparentemente “está tudo bem”.

A Mulher de Lama atravessa exatamente esse território.

Ela já não pertence completamente ao mundo antigo, mas ainda não chegou à nova forma.

Ela está entre mundos.

Assim como A Lua.

A Morte: quando uma antiga identidade precisa terminar!

Depois vem A Morte.

Talvez nenhuma carta seja tão mal compreendida quanto ela.

No Tarô, A Morte raramente fala apenas da morte física. Seu grande tema é o encerramento necessário.

Algo completou seu ciclo.

Uma identidade.

Uma relação.

Uma forma de viver.

Uma crença.

Uma versão de nós mesmas.

O sofrimento muitas vezes começa quando tentamos preservar aquilo que a vida já está desmontando.

A Mulher de Lama sabe disso de uma maneira radical.

A donzela não consegue simplesmente retornar à vida anterior.

A antiga forma foi rompida.

Ela precisará descobrir outra maneira de existir.

É isso que A Morte pergunta:

O que já terminou, mas você ainda está tentando manter vivo?

Algumas transformações só começam quando paramos de reconstruir aquilo que precisava cair.

O Enforcado/O Pendurado: quando as antigas mãos já não funcionam!

Em A Donzela sem Mãos, a perda das mãos é um dos grandes símbolos da narrativa.

Com as mãos, tocamos, realizamos, controlamos, seguramos e construímos.

Perdê-las simbolicamente pode representar um período em que nossas antigas formas de agir já não conseguem resolver aquilo que estamos vivendo.

É impossível não relacionar essa experiência ao Enforcado.

O Enforcado também interrompe a ação.

Ele não avança.

Não conquista.

Não força.

Ele permanece suspenso.

E justamente por não conseguir agir da maneira habitual, começa a enxergar de outra perspectiva.

Há fases em que insistir em “fazer mais” não resolve.

Talvez seja necessário parar.

Observar.

Esperar.

Mudar o ponto de vista.

Perguntar:

E se eu não puder resolver isso do modo como sempre resolvi?

Essa é uma pergunta profundamente iniciática.

Porque há momentos em que a vida não quer mais eficiência.

Quer consciência.

A Imperatriz: o barro como matéria de criação!

Depois da descida, encontramos outro Arcano fundamental: A Imperatriz.

Ela está profundamente ligada à Terra.

Ao corpo.

À fertilidade.

À natureza.

À capacidade de criar e fazer nascer.

E aqui o barro ganha outro significado.

A lama não é apenas sujeira.

É terra misturada com água.

É matéria fértil.

É aquilo que ainda não recebeu sua forma definitiva.

O barro pode ser pressionado.

Remodelado.

Transformado.

Pode guardar marcas e ainda assim receber uma nova forma.

A Imperatriz nos lembra que transformação não significa apenas destruir aquilo que existia.

Também significa gestar aquilo que virá depois.

Talvez você ainda não saiba exatamente quem está se tornando.

Mas alguma coisa já está sendo formada.

Nem todo processo criativo é bonito enquanto acontece.

A semente também rompe antes de brotar.

A terra também parece escura antes de revelar aquilo que estava germinando.

A Força: o reencontro com o instinto!

E então chegamos à Força.

Uma mulher e um animal selvagem.

Mas ela não destrói o animal.

Não o expulsa.

Não precisa vencê-lo pela violência.

Existe relação.

Presença.

Consciência.

Essa é uma imagem poderosa para compreender a Mulher Selvagem.

Durante muito tempo fomos ensinadas a imaginar nossos instintos como algo que precisava ser controlado.

A raiva.

O desejo.

A percepção.

A intuição.

A necessidade de recuar.

A capacidade de dizer não.

A vontade de mudar.

A Força apresenta outra possibilidade.

Não precisamos destruir o animal.

Precisamos aprender sua linguagem.

A mulher que atravessa a lama pode começar a recuperar justamente isso.

Seu faro.

Sua percepção.

Seus limites.

Seu desejo.

Sua capacidade de reconhecer o que alimenta e o que ameaça sua natureza profunda.

Das Deusas de Lama à Mulher de Lama!

Há ainda uma conexão interessante dentro da própria obra de Clarissa.

Em outro capítulo, O Urso da Meia-Lua, aparecem figuras femininas de lama associadas à capacidade de penetrar os aspectos psíquicos das coisas.

Podemos fazer aqui uma leitura simbólica.

Primeiro, encontramos figuras que conhecem aquilo que está abaixo da superfície.

Depois, em A Donzela sem Mãos, encontramos uma mulher que se torna ela própria Mulher de Lama.

É como se a jornada dissesse:

primeiro precisamos rastrear.

Depois precisamos escavar.

E, em determinado momento, precisamos ter coragem de descer até aquilo que encontramos.

É dessa aproximação que nasce a imagem que estamos chamando aqui de Deusas do Barro.

Não como um termo criado por Clarissa, mas como um símbolo para pensar as mulheres que atravessam processos de transformação profunda.

Quando a aparência deixa de ser o centro

Existe uma “camada civilizada” que todos construímos para viver no mundo.

Ela possui sua função.

Mas às vezes nos identificamos demais com ela.

A mulher que dá conta.

A mulher que não incomoda.

A mulher sempre disponível.

A mulher que cuida de todos.

A mulher que nunca demonstra fraqueza.

A mulher que continua sorrindo quando está exausta.

Até que algum acontecimento rompe essa estrutura.

Uma separação.

Uma perda.

Uma mudança profissional.

Uma crise.

Um encontro consigo mesma.

E aquela mulher já não consegue manter tudo exatamente como antes.

Começa a dizer não.

Deseja mais silêncio.

Reduz compromissos.

Questiona relações.

Percebe que algumas expectativas já não lhe pertencem.

Então alguém olha e diz:

“Você mudou.”

Talvez tenha mudado mesmo.

Mas nem toda mudança significa que estamos nos perdendo.

Às vezes estamos simplesmente retirando energia da aparência para descobrir o que existe por baixo dela.

O Tarô não pergunta apenas o que vai acontecer

Esse talvez seja um dos aspectos mais importantes do Tarô.

Ele não serve apenas para perguntar:

“O que vai acontecer comigo?”

Também podemos perguntar:

“O que está acontecendo dentro de mim?”

Qual parte da minha vida está sob A Lua?

O que A Morte está pedindo que eu encerre?

Onde O Enforcado pede que eu pare de forçar?

O que A Imperatriz deseja fazer nascer?

Que instinto A Força está tentando me ensinar a reconhecer?

Quando fazemos essas perguntas, o Tarô deixa de ser apenas um instrumento de previsão.

Torna-se um espelho simbólico.

Uma linguagem para atravessar processos.

A Mulher de Lama não é uma mulher vencida

É importante compreender isso.

A Mulher de Lama está atravessando uma provação.

Ela pode estar cansada.

Ferida.

Desorientada.

Pode já não conseguir sustentar a mesma relação com o mundo.

Mas alguma coisa essencial continua viva.

Ela não diz:

“Eu desisti de mim.”

Ela diz:

“Eu já não preciso parecer intacta para continuar inteira em algum lugar profundo.”

Essa frase poderia atravessar vários Arcanos.

A Lua responderia:

Entre no mistério.

A Morte diria:

Deixe terminar.

O Enforcado pediria:

Não force a resposta.

A Imperatriz lembraria:

Ainda existe vida sendo gestada.

E A Força acrescentaria:

Não abandone seu instinto.

Qual Arcano acompanha sua travessia?

Talvez você esteja vivendo uma fase de barro.

Um momento em que antigas formas já não funcionam e as novas ainda não estão completamente prontas.

Pergunte a si mesma:

Estou na Lua, tentando compreender aquilo que ainda está oculto?

Estou diante da Morte, resistindo ao encerramento de um ciclo?

Estou vivendo o Enforcado, precisando parar de tentar controlar tudo?

Existe uma Imperatriz dentro de mim preparando algo novo?

Ou a Força está me ensinando a recuperar meu instinto e meus limites?

Não existe uma única resposta.

Podemos atravessar mais de um desses Arcanos ao mesmo tempo.

Porque a transformação não acontece em linha reta.

Ela se move em ciclos.

Deusas do Barro

As Deusas do Barro não são mulheres perfeitas.

Não vivem sobre pedestais.

Não estão sempre iluminadas, equilibradas e certas sobre o caminho que devem seguir.

Elas conhecem a terra.

Conhecem as marcas.

Conhecem a noite.

Conhecem os momentos em que é necessário interromper.

Conhecem a dor dos encerramentos.

Mas também conhecem a potência da matéria que ainda pode ser transformada.

Talvez seja isso que a Mulher de Lama e os Arcanos possam nos ensinar juntos:

nem sempre estamos perdidas quando a antiga forma desaparece.

Às vezes estamos apenas entrando profundamente na matéria da nossa própria vida.

E talvez voltar para si não aconteça quando conseguimos finalmente deixar tudo perfeito.

Talvez comece quando paramos de ter medo de sujar as mãos e temos coragem de tocar novamente a terra de onde viemos.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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domingo, 25 de outubro de 2026

O Arcano O Diabo e o Conto A Donzela Sem Mãos!

 


O Diabo no Tarot e em A Donzela sem Mãos — quando algo tenta nos afastar de nós mesmas!

O Diabo é uma das imagens que mais despertam medo, curiosidade e interpretações precipitadas.

No Tarot, muita gente olha para o Arcano XV e imediatamente pensa em algo ruim, perigoso ou inevitável.

Mas o simbolismo do Diabo pode nos levar a uma pergunta muito mais interessante:

O que está exercendo poder sobre mim sem que eu perceba claramente?

Essa pergunta também aparece, de outra forma, em A Donzela sem Mãos, de Clarissa Pinkola Estés.

No segundo estágio do conto, Clarissa apresenta o Diabo como uma força predadora da psique.

Ele não quer apenas assustar a donzela.

Ele tenta enfraquecê-la, afastá-la de sua própria percepção e retirar aquilo que ainda lhe permite permanecer ligada a si mesma.

Quando não consegue alcançá-la diretamente, passa a atacar suas proteções.

O Diabo procura aquilo que nos mantém ligadas a nós mesmas!

Na história, a donzela se banha, veste branco e cria um círculo de proteção.

O Diabo tenta alcançá-la e não consegue.

Depois ela chora.

E novamente ele não consegue dominá-la.

Clarissa mostra que as lágrimas não significam apenas sofrimento. Elas preservam alguma coisa essencial, ajudam a tornar consciente aquilo que está acontecendo e mantêm a força predadora afastada.

Isso traz uma reflexão importante.

Aquilo que é destrutivo muitas vezes tenta nos afastar justamente daquilo que poderia nos ajudar a perceber o perigo.

Nossa sensibilidade.

Nossa intuição.

Nossa capacidade de dizer:

“Isso está me fazendo mal.”

“Isso não está certo.”

“Eu não quero mais viver dessa forma.”

Enquanto estamos completamente entorpecidas, podemos permanecer muito tempo em determinadas situações.

Quando começamos a sentir, alguma coisa muda.

A dor pode continuar existindo, mas agora existe consciência.

“Se eu descascar sua camada civilizada...”

Em uma passagem muito forte, o Diabo acredita que, retirando da donzela sua aparência civilizada, conseguirá roubá-la de si mesma.

Clarissa mostra que ele deseja degradá-la e enfraquecê-la.

Mas acontece exatamente o contrário.

Quanto mais a aparência exterior se desfaz, mais a donzela se aproxima de sua natureza selvagem.

Essa imagem é extremamente interessante.

Porque existem momentos em que acreditamos que nossa força está naquilo que mostramos ao mundo:

na imagem que mantemos,

no controle,

na aprovação,

na aparência de que está tudo bem,

na capacidade de dar conta de tudo.

Mas quando essas camadas caem, podemos descobrir que existe algo muito mais profundo em nós.

Algo que não depende da aprovação dos outros para existir.

E onde entra o Arcano XV — O Diabo?

Aqui faço uma associação com o Tarot.

O Diabo pode nos convidar a observar vínculos, desejos, dependências, compulsões, relações de poder e situações às quais permanecemos presas mesmo sabendo que existe um preço.

Nem sempre essas prisões possuem correntes visíveis.

Às vezes a corrente é o medo.

“Se eu sair, o que vai acontecer?”

Às vezes é a necessidade de aprovação.

“Se eu disser não, ainda vão gostar de mim?”

Pode ser dependência emocional.

Pode ser culpa.

Pode ser desejo.

Pode ser dinheiro.

Pode ser uma relação.

Pode ser até uma ideia antiga sobre quem acreditamos que precisamos ser.

Por isso, quando penso no Arcano do Diabo junto à leitura de Clarissa, não penso simplesmente em “maldade”.

Penso principalmente naquilo que vai nos afastando de nós mesmas enquanto mantém a impressão de que não podemos sair dali.

O perigo de perder as próprias mãos!

No conto, o Diabo finalmente exige que as mãos da donzela sejam cortadas.

Clarissa diz que as mãos representam a capacidade psíquica de apreender, segurar e ajudar a si mesma e aos outros.

Psicologicamente, podemos pensar também na capacidade de agir.

Escolher.

Criar.

Construir.

Recusar.

Proteger.

Então existe algo muito forte nessa imagem.

Uma situação pode se tornar verdadeiramente perigosa quando começa a convencer a pessoa de que ela não tem mais poder para agir sobre a própria vida.

É quando aparecem pensamentos como:

“Eu não consigo sair.”

“Eu não sei viver sem isso.”

“Talvez eu esteja exagerando.”

“Talvez a culpa seja minha.”

“Eu não saberia começar novamente.”

Nesse ponto, a prisão já não está apenas do lado de fora.

Ela começa a existir também dentro.

O Diabo não quer apenas ferir!

Clarissa aprofunda ainda mais o símbolo.

Ela diz que essa força predadora tenta atingir justamente as funções relacionadas a sentir, perceber e curar. O Diabo do conto é apresentado como uma força mutiladora, que procura afastar a mulher de seus próprios recursos.

E talvez possamos reconhecer isso em muitas experiências reais.

Existem relações que nos fazem duvidar de nossa percepção.

Ambientes que nos fazem acreditar que somos incapazes.

Padrões internos que repetem:

“Não tente.”

“Não mude.”

“Não confie em você.”

“É melhor ficar onde está.”

Por isso, talvez uma das questões mais importantes trazidas pelo símbolo do Diabo seja:

O que está diminuindo minha capacidade de confiar em mim mesma?

O que o Diabo não consegue alcançar!

Apesar de tudo, existe uma parte da donzela que permanece viva.

Clarissa diz que o Diabo não consegue se aproximar do Self selvagem e que a combinação dessa natureza profunda com a pureza das lágrimas funciona como proteção.

Isso muda bastante a leitura.

Porque a história deixa de ser apenas sobre aquilo que foi perdido.

Ela também passa a falar daquilo que não pôde ser destruído.

Mesmo quando a mulher sente que perdeu sua força, sua direção ou sua maneira habitual de agir, alguma parte dela ainda pode continuar percebendo.

Sentindo.

Sonhando.

Desejando.

E, pouco a pouco, essa parte pode começar a mostrar um novo caminho.

O Diabo também pode aparecer sem rosto!

Clarissa amplia o símbolo ao mostrar que essa força não precisa aparecer somente como uma pessoa específica.

Ela pode se manifestar por meio de imposições culturais, familiares ou intrapsíquicas que desvalorizam a vida profunda da mulher e procuram afastá-la de seus próprios recursos.

Isso torna o símbolo ainda mais atual.

Às vezes o “Diabo” está numa relação.

Às vezes está numa crença.

Às vezes está naquela voz interna que diz que precisamos nos diminuir para sermos aceitas.

Por isso, diante do Arcano XV, talvez a pergunta mais profunda não seja:

“Existe alguma coisa ruim ao meu redor?”

Talvez seja:

“Onde estou entregando meu poder sem perceber?”

E também:

“O que em mim precisa voltar a ser reconhecido, protegido e fortalecido?”

O Tarot pode ajudar a iluminar essas questões.

Não para decidir por nós.

Mas para trazer à consciência vínculos, padrões, desejos, medos e relações de poder que talvez ainda estejam difíceis de enxergar claramente.

Quer compreender melhor o que está prendendo ou enfraquecendo você neste momento?

Se existe uma situação, relacionamento ou decisão que vem trazendo dúvidas e você deseja olhar para isso com mais profundidade através do Tarot, podemos conversar.

Para agendar sua consulta comigo, fale comigo somente pelo WhatsApp 55-31-991223190.

Porque às vezes reconhecer a corrente já é o primeiro movimento para deixar de ser conduzida por ela.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

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