A mulher que guarda um segredo é uma mulher exausta!
Clarissa Pinkola Estés escreve uma frase muito forte em Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes:
“A mulher que guarda um segredo é uma mulher exausta.”
E talvez o peso do segredo não esteja apenas naquilo que aconteceu.
Está também em tudo o que a mulher precisa fazer para manter aquela experiência escondida.
Clarissa descreve esse processo através da imagem da zona morta. Quando o segredo ameaça vir à tona, a mulher tenta empurrá-lo novamente para dentro e constrói ainda mais defesas para mantê-lo fechado. É justamente esse esforço constante que consome tanta energia psíquica.
Mas é importante fazer uma distinção: nem tudo o que é privado é um segredo prejudicial.
Todos nós temos direito à intimidade.
A questão começa quando não contamos algo porque existe vergonha, medo, culpa ou a sensação de que, se aquilo for conhecido, deixaremos de ser amadas, respeitadas ou aceitas.
Nesse momento, o silêncio deixa de ser apenas uma escolha e pode começar a se transformar em peso.
E aquilo que permanece escondido nem sempre desaparece. Clarissa mostra que o segredo pode procurar outras formas de se manifestar, porque a psique continua tentando trazer para a superfície aquilo que precisa ser reconhecido.
Talvez por isso seja tão cansativo.
Não é apenas carregar a experiência.
É carregar também todo o trabalho necessário para impedir que ela apareça.
Revelar não significa contar tudo para qualquer pessoa. Significa encontrar, quando for possível e seguro, uma forma de não precisar continuar carregando aquilo completamente sozinha.
Pode ser numa terapia.
Pode ser numa conversa com alguém de confiança.
Pode começar pela escrita.
Pode começar apenas pelo reconhecimento interno:
“Isso aconteceu.”
“Isso ainda me afeta.”
“Eu não preciso continuar fingindo para mim mesma que isso não existe.”
Talvez seja aí que algo começa a mudar.
Porque, quando aquilo que estava escondido finalmente encontra palavras e uma escuta capaz de recebê-lo, a mulher já não precisa gastar tanta energia mantendo aquela porta fechada.
E então a frase de Clarissa ganha ainda mais sentido:
A mulher que guarda um segredo é uma mulher exausta.
Talvez a pergunta não seja apenas:
“Qual segredo eu guardo?”
Mas também:
“Quanto de mim está sendo gasto para continuar escondendo aquilo que ainda precisa ser reconhecido?”
Nossa próxima roda, inscrições abertas!
No dia 3 de outubro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o capítulo 13:
Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes.
Vamos refletir sobre os segredos que carregamos, a vergonha, as feridas, a importância de encontrar voz para aquilo que ficou silenciado e o significado das cicatrizes que fazem parte da nossa história.
Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.
03 de outubro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp.
Talvez algumas lágrimas não venham para nos afundar. Talvez venham justamente para colocar novamente em movimento aquilo que, dentro de nós, estava parado.
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