quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Perder a Inocência Sem Perder a Alma = Mulheres Que Correm Com os Lobos e o Tarot

 

Perder a inocência sem perder a alma!

“Nenhum ente senciente neste mundo tem a permissão de permanecer inocente para sempre.”

Há frases que atravessamos rapidamente.

E há frases que nos obrigam a parar.

Essa é uma delas.

Quando Clarissa Pinkola Estés escreve que nenhum ser senciente tem permissão para permanecer inocente para sempre, ela toca numa questão muito maior do que simplesmente “crescer” ou “amadurecer”.

Ela fala sobre o momento em que já não podemos continuar vivendo como se não soubéssemos.

E talvez esse seja um dos grandes desafios da vida adulta.

Porque perder a inocência não significa necessariamente perder a bondade.

Não significa tornar-se amarga.

Não significa desconfiar de tudo.

Muito menos perder a capacidade de amar.

A verdadeira questão talvez seja outra:

Como deixar de ser ingênua sem deixar de ser sensível?

O que significa ser senciente?

A palavra “senciente” pode parecer complicada, mas a ideia é simples.

Um ser senciente é aquele que sente, percebe, experimenta e é afetado pelo que acontece.

E se somos capazes de sentir e perceber, também somos inevitavelmente transformados pela experiência.

É impossível viver sem que a vida nos mostre coisas que preferiríamos não ter visto.

Em algum momento descobrimos que as pessoas podem decepcionar.

Que algumas relações terminam.

Que nem sempre a justiça acontece no tempo que gostaríamos.

Que existem perdas que não podem ser evitadas.

Que pessoas boas também sofrem.

Que quem amamos pode errar.

Que nós mesmas erramos.

E descobrimos também coisas maiores.

Violência.

Guerras.

Desigualdades.

Abandono.

Preconceitos.

Manipulações.

Abusos de poder.

Sofrimentos que acontecem perto de nós e outros que chegam através das telas todos os dias.

Aos poucos, aquela ideia infantil de que o mundo deveria funcionar de determinada maneira começa a se desfazer.

E talvez seja disso que Clarissa esteja falando.

Existe um momento em que a inocência precisa dar lugar à consciência.

A inocência diz: “Eu não sabia”

Durante algum tempo, não saber é natural.

Faz parte da infância.

Faz parte da juventude.

Faz parte também de determinadas etapas da nossa vida.

Não conhecemos ainda.

Não percebemos.

Não tivemos experiência suficiente.

Mas chega um momento em que alguma coisa nos é revelada.

E, depois disso, já não conseguimos voltar exatamente ao lugar anterior.

A inocência pode dizer:

“Eu não sabia.”

A consciência precisa perguntar:

“Agora que eu sei, o que faço com aquilo que sei?”

Essa talvez seja a grande diferença.

Porque conhecer alguma coisa também produz responsabilidade.

A Donzela sem Mãos e o fim da ingenuidade!

No conto A Donzela sem Mãos, estudado por Clarissa Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos, a jovem passa por uma profunda transformação.

No início da história, muitas decisões importantes acontecem ao redor dela antes que ela consiga compreender completamente aquilo que está acontecendo.

O pai faz um pacto.

Ela é envolvida pelas consequências.

Perde as mãos.

É obrigada a abandonar uma vida conhecida.

E precisa iniciar uma longa jornada.

Podemos ler tudo isso literalmente como um conto fantástico.

Mas podemos também enxergar a dimensão simbólica.

A Donzela representa aquela parte da mulher que ainda não conhece totalmente a própria força.

Que ainda depende das referências externas.

Que ainda não percebe todos os perigos.

Que ainda acredita que poderá permanecer protegida dentro do mundo conhecido.

Mas a vida rompe essa proteção.

E então começa outra etapa.

Ela precisa aprender a reconhecer.

A perceber.

A escolher.

A caminhar.

Em outras palavras:

ela precisa perder a inocência para adquirir consciência.

Mas perder a inocência não significa perder a alma!

Esse ponto é fundamental.

Porque existe uma maneira destrutiva de perder a inocência.

É quando uma pessoa sofre e conclui:

“Não confio mais em ninguém.”

“Todo mundo quer alguma coisa.”

“Amar é ser fraco.”

“Preciso endurecer.”

“Não posso sentir.”

Nesse caso, a experiência não produziu apenas consciência.

Produziu uma armadura.

E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

Consciência nos ajuda a perceber melhor.

A armadura nos impede de sentir.

Consciência cria discernimento.

A armadura cria medo.

Consciência permite colocar limites.

A armadura constrói muros.

Talvez o verdadeiro amadurecimento esteja justamente em conseguir dizer:

“Agora eu enxergo mais, mas não preciso me tornar menos humana por causa disso.”

Talvez amadurecer seja perder a ingenuidade, não a ternura

Essa é uma distinção que considero importante.

Podemos perder a ingenuidade e continuar sendo generosas.

Podemos compreender que existem pessoas manipuladoras e continuar acreditando em relações saudáveis.

Podemos reconhecer injustiças e continuar escolhendo agir com ética.

Podemos aprender a colocar limites sem perder a capacidade de acolher.

Podemos reconhecer a escuridão sem permitir que ela defina quem somos.

Isso exige maturidade.

Porque às vezes é mais fácil permanecer ingênua.

E outras vezes é mais fácil tornar-se dura.

O caminho intermediário exige consciência.

É saber que existem lobos sem precisar transformar todo mundo em lobo.

E talvez isso seja especialmente importante para as mulheres!

Durante muito tempo, a feminilidade foi associada à docilidade, à ingenuidade e ao silêncio.

A mulher considerada “boa” deveria saber menos.

Perguntar menos.

Desconfiar menos.

Confrontar menos.

Perceber menos.

Muitas mulheres aprenderam desde cedo a ignorar sinais que o próprio corpo e a própria intuição percebiam.

“Não pense isso.”

“Você está exagerando.”

“Seja educada.”

“Não faça confusão.”

“Talvez você tenha entendido errado.”

E aos poucos uma mulher pode aprender a desconfiar daquilo que percebe.

Clarissa trabalha justamente na direção contrária.

A mulher selvagem é aquela que recupera o instinto de perceber.

Ela fareja.

Observa.

Escuta.

Reconhece.

Não porque se torna paranoica.

Mas porque deixa de abandonar a própria percepção.

E isso muda tudo.

O conhecimento também cobra uma posição!

Talvez uma das partes mais desconfortáveis da consciência seja essa.

Depois que sabemos determinadas coisas, já não podemos fingir que não sabemos.

Isso vale para a nossa própria vida.

Quando reconhecemos que uma relação nos machuca.

Quando percebemos que determinado comportamento se repete.

Quando entendemos que estamos nos abandonando para agradar alguém.

Quando reconhecemos que determinada escolha já não combina conosco.

Podemos adiar uma decisão.

Podemos tentar esquecer.

Podemos racionalizar.

Mas alguma coisa dentro de nós já sabe.

E esse conhecimento muda a nossa relação com a própria vida.

E existe também uma consciência coletiva

Essa frase ganha ainda mais força quando olhamos para o mundo atual.

Vivemos cercados por informação.

Vemos acontecimentos praticamente em tempo real.

Chegam até nós guerras, crises, desigualdades, violência, intolerância e inúmeros conflitos humanos.

Nunca estivemos tão expostos àquilo que acontece fora do nosso pequeno círculo.

Mas isso cria um paradoxo.

Podemos saber muito e, ao mesmo tempo, compreender muito pouco.

Podemos consumir dezenas de notícias e permanecer anestesiados.

Podemos assistir ao sofrimento como quem passa rapidamente para o próximo conteúdo.

Por isso, consciência não é apenas receber informação.

Consciência exige elaboração.

Perguntar.

Pensar.

Comparar.

Investigar.

Reconhecer complexidades.

Não aceitar automaticamente tudo aquilo que nos é apresentado.

E, principalmente, perceber qual é a nossa responsabilidade diante daquilo que conhecemos.

Não precisamos carregar o mundo inteiro

Consciência não significa assumir todos os problemas existentes.

Ninguém conseguiria.

Não temos capacidade emocional para responder a todas as dores do mundo.

Também precisamos preservar nossa saúde, nossas relações, nosso cotidiano e nossa capacidade de alegria.

Mas há uma diferença entre reconhecer nossos limites e escolher deliberadamente a indiferença.

Talvez amadurecer seja aprender essa medida.

Não carregar tudo, mas também não fingir que nada nos diz respeito.

O Tarot também fala sobre a perda da inocência!

Podemos fazer uma aproximação simbólica com o Tarot.

No início da jornada está O Louco.

Ele caminha aberto para a experiência.

Existe liberdade, espontaneidade, confiança.

Mas também existe aquilo que ainda não foi experimentado.

O Louco precisa caminhar.

E ao longo dos Arcanos encontra escolhas, perdas, desejos, limites, rupturas, medos e transformações.

Encontra Os Enamorados, A Justiça, O Enforcado, A Morte, A Torre, A Lua.

Não é mais possível permanecer exatamente com o mesmo olhar do início.

Mas a jornada não termina no cinismo.

Ela caminha em direção ao Sol, ao Julgamento e ao Mundo.

Ou seja:

a consciência adquirida durante a jornada pode nos devolver à vida de uma maneira diferente.

Não mais inocentes.

Mas talvez mais inteiros.

Ver sem endurecer!

Talvez esse seja um dos maiores desafios do nosso tempo.

Ver sem endurecer.

Compreender sem perder a capacidade de sentir.

Reconhecer o mal sem esquecer que também existe beleza.

Enxergar as contradições humanas sem desistir completamente das pessoas.

Perder certas ilusões sem perder a esperança.

Porque existe uma diferença entre esperança e ingenuidade.

A ingenuidade acredita que nada ruim acontecerá.

A esperança sabe que coisas ruins acontecem e, ainda assim, escolhe continuar construindo alguma coisa.

Talvez essa seja uma forma muito mais madura de esperança.

Depois que sabemos, o que fazemos?

Existe um momento da vida em que algumas perguntas mudam.

Deixamos de perguntar apenas:

“Por que isso aconteceu?”

E começamos a perguntar:

“Agora que aconteceu, o que farei com isso?”

Deixamos de perguntar:

“Por que ninguém me contou?”

E começamos a perguntar:

“Agora que sei, como vou viver?”

Talvez seja exatamente esse movimento que existe por trás da frase de Clarissa.

Nenhum ser capaz de sentir e perceber pode permanecer inocente para sempre porque a própria experiência nos transforma.

A questão não é evitar essa transformação.

A questão é escolher o que faremos com ela.

Podemos transformar conhecimento em medo.

Podemos transformá-lo em amargura.

Podemos transformá-lo em indiferença.

Ou podemos transformá-lo em discernimento.

Em limite.

Em responsabilidade.

Em coragem.

Em humanidade.

Talvez amadurecer seja justamente isso:

perder a inocência sem perder a alma.

E talvez exista uma pergunta que valha a pena levar conosco:

Depois que sabemos, ainda podemos continuar vivendo como se não soubéssemos?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

#mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo13 #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional  #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior # #ProcessosDeCura #SabedoriaFeminina #Limites #Transformação   #rodaterapêutica  #saúdeemocional #psicologiafeminina #curaemocional #femininoselvagem #mulheresquesecuram #históriasdemulheres #desenvolvimentopessoal    #MulheresEmProcesso  #FemininoSelvagem    #escutaempática #vozfeminina  #Psicologia  #Jung #MisticaDaParticipacao #LevyBruhl #Autoconhecimento  #InteligenciaEmocional #EscutaEmpatica #SaudeEmocional #PsiqueFeminina #FemininoSelvagem #MulherSelvagem #Simbolismo #Arquetipos #ContosQueCuram #HistoriasQueTransformam #Terapia  #Consciencia #BethCastro  #resistência #florestasubterrânea #laselvasubterrânea #coragem #discernimento #limite #adonzelasemãos  #vidainterior #processopsíquico #criatividade #intuição  #elaboraçãopsíquica #crescimentopessoal #terapiaintegrativa #leituraterapêutica #reflexão #moinhodaalma #macieiraflorida  #vidainterior #amadurecimento #crescimentopessoal #ciclosfemininos #raízes #self #desenvolvimentopessoal  #rodaterapêutica #leituraterapêutica #ragnarok #criançadepedra #contonuit #CSLewis #Maryculhame #mulherdebarro #deusasdobarro #nigredo #albedo #rubedo #arcanomorte #arcanoestrela #arcanolua #aalmasabe

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Nigredo, Rubedo e Albedo de Mulheres Que Correm Com os Lobos com o Tarot!


 

Nigredo, Rubedo e Albedo: por que a transformação não acontece em linha reta!

Você já teve a sensação de finalmente ter superado uma fase difícil e, algum tempo depois, perceber-se novamente em meio à dúvida, ao vazio ou à sensação de estar começando tudo outra vez?

Talvez uma das grandes frustrações dos processos de transformação seja justamente essa: acreditamos que, depois de compreender alguma coisa, não deveríamos mais voltar a lugares escuros.

Mas a psique não funciona em linha reta.

E é justamente isso que Clarissa Pinkola Estés nos mostra em um dos momentos mais interessantes de A Donzela sem Mãos, no capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos.

Ao explicar a jornada da Donzela, Clarissa recorre à linguagem da alquimia e fala de três movimentos: nigredo, rubedo e albedo.

À primeira vista, podem parecer palavras difíceis e distantes da nossa realidade.

Mas quando compreendemos o que simbolizam, percebemos que estamos falando de experiências profundamente humanas.

Estamos falando de perder.

Atravessar.

Compreender.

Renascer.

E, algumas vezes, precisar descer novamente.

Nigredo: quando aquilo que conhecíamos começa a se desfazer!

Nigredo significa, literalmente, algo próximo de “enegrecimento”.

Na linguagem simbólica utilizada por Clarissa, é o estágio escuro da dissolução.

É quando alguma forma antiga já não consegue continuar existindo como antes.

Pode ser uma relação.

Uma identidade.

Uma profissão.

Uma crença.

Uma maneira de enxergar a própria vida.

Ou aquela imagem que construímos de quem deveríamos ser.

O nigredo costuma ser desconfortável justamente porque ainda não conseguimos enxergar claramente aquilo que virá depois.

Sabemos que alguma coisa terminou, mas o novo ainda não apareceu.

É o território do:

“Não sei mais.”

“Não consigo voltar.”

“Não sei para onde estou indo.”

Por isso, muitas vezes interpretamos o nigredo como fracasso.

Mas, simbolicamente, ele pode representar outra coisa:

a dissolução de uma forma que já não consegue sustentar aquilo que estamos nos tornando.

É como a terra escura onde uma semente desaparece antes de começar a germinar.

Visto de fora, parece que nada está acontecendo.

Por baixo da terra, entretanto, o processo já começou.

Rubedo: aquilo que a transformação nos pede para atravessar!

Clarissa associa o rubedo ao vermelho e ao sacrifício.

E aqui é importante compreender a palavra sacrifício sem transformá-la numa defesa do sofrimento.

Não se trata de dizer que precisamos sofrer para evoluir.

No próprio capítulo, Clarissa é cuidadosa ao não romantizar aquilo que fere uma pessoa.

O símbolo aponta para outra questão.

Transformações verdadeiras frequentemente exigem que alguma coisa seja deixada para trás.

Há escolhas que possuem um preço emocional.

Há verdades que, depois de reconhecidas, não podem mais ser ignoradas.

Há limites que precisamos estabelecer.

Há despedidas.

Há antigas versões de nós mesmas que já não podem continuar governando nossa vida.

O rubedo é o momento em que a transformação deixa de ser apenas uma ideia e passa a exigir participação.

É quando pensamos:

“Agora que sei disso, o que farei com aquilo que descobri?”

É relativamente fácil ter uma compreensão.

Muito mais difícil é reorganizar a vida a partir dela.

Albedo: quando começa a surgir uma nova consciência!

Depois da escuridão e da travessia, aparece o albedo.

O branco.

O clareamento.

A nova vida.

É aquele momento em que alguma coisa começa finalmente a fazer sentido.

Não significa necessariamente que todos os problemas desapareceram.

Significa que já não estamos olhando para eles exatamente do mesmo lugar.

Há uma compreensão nova.

Uma percepção diferente.

Talvez uma decisão.

Talvez apenas uma sensação muito íntima:

“Agora eu entendo alguma coisa que antes não conseguia entender.”

Na história da Donzela sem Mãos, o branco aparece também nas gazes que envolvem seus braços.

Ela está ferida, mas está caminhando.

Algo terminou.

Algo começou.

É uma imagem de renascimento.

E poderíamos imaginar que a história seguiria daí para uma evolução constante: cada vez mais luz, mais compreensão, mais segurança.

Mas Clarissa faz exatamente o contrário.

A Donzela volta a entrar no nigredo.

E aqui está uma das partes mais importantes!

Ela já passou pela escuridão.

Já atravessou o sacrifício.

Já experimentou o clareamento.

E, mesmo assim, entra novamente numa região desconhecida.

Isso muda completamente a nossa ideia de transformação.

Porque significa que voltar à escuridão não necessariamente significa voltar ao início.

A Donzela que entra no segundo nigredo já não é a mesma mulher que entrou no primeiro.

Ela leva consigo tudo aquilo que viveu.

A consciência conquistada não desapareceu.

O que acontece é que agora existe uma camada mais profunda esperando para ser conhecida.

Talvez seja por isso que determinadas situações pareçam se repetir na nossa vida.

Às vezes pensamos:

“Mas eu já não havia resolvido isso?”

Talvez tenhamos resolvido uma parte.

Talvez tenhamos compreendido aquele problema na profundidade que era possível naquele momento.

E agora a vida esteja apresentando outra camada da mesma questão.

Não é necessariamente retrocesso.

Pode ser aprofundamento.

A transformação acontece em espiral!

Talvez uma imagem melhor do que uma linha seja uma espiral.

Na linha, caminhamos de A para B e nunca voltamos ao mesmo lugar.

Na espiral, passamos novamente por lugares semelhantes, mas de uma posição diferente.

Encontramos novamente temas como abandono, pertencimento, amor, medo, identidade, limites, coragem ou autonomia.

Mas já não somos exatamente a mesma pessoa.

É por isso que uma questão que enfrentamos aos vinte anos pode retornar aos quarenta ou aos sessenta.

O tema parece o mesmo.

A mulher que o encontra já mudou.

E a pergunta agora pode ser outra.

O Tarot também conhece esse movimento!

Clarissa não faz essa associação diretamente, mas podemos aproximar simbolicamente o movimento alquímico da linguagem do Tarot.

O nigredo lembra aqueles momentos representados por cartas como A Lua, A Torre ou A Morte, quando nossas referências habituais deixam de ser suficientes e somos obrigados a atravessar aquilo que ainda não compreendemos completamente.

O rubedo pode ser aproximado das cartas que exigem participação consciente na travessia: A Força, O Enforcado/O Pendurado e novamente A Morte, quando algo precisa ser entregue para que outra forma de existência seja possível.

E o albedo encontra ecos em imagens como A Estrela, quando depois da ruptura começa a surgir novamente orientação, esperança e uma relação mais transparente conosco.

Mas nem o Tarot termina na Estrela.

Depois dela ainda existem A Lua, O Sol, O Julgamento e O Mundo.

E, depois do Mundo, o Louco pode iniciar outra viagem.

O próprio ciclo dos Arcanos nos lembra:

chegar não significa parar de se transformar.

Talvez você não esteja começando tudo de novo!

Essa é uma das reflexões mais importantes que a imagem alquímica pode nos oferecer.

Quando uma nova crise aparece depois de um período de estabilidade, nossa primeira reação pode ser:

“Eu voltei para trás.”

Mas talvez não.

Talvez você esteja diante de um novo nigredo.

Não porque aquilo que aprendeu tenha sido perdido.

Mas porque existe uma parte de você que agora está pronta para ir mais fundo.

Algumas transformações não acontecem uma única vez.

Elas acontecem em camadas.

Primeiro perdemos uma certeza.

Depois descobrimos uma verdade.

Mais tarde percebemos que aquela verdade também precisa amadurecer.

E assim seguimos.

Nigredo.

Rubedo.

Albedo.

E novamente a descida.

Não como uma condenação a sofrer.

Mas como uma lembrança de que estar novamente no escuro não significa necessariamente estar perdida.

Às vezes a escuridão apenas anuncia que nossos olhos precisarão aprender a enxergar de outra maneira.

Talvez a pergunta não seja:

“Por que estou passando por isso de novo?”

Talvez seja:

“O que consigo compreender agora que não conseguiria compreender da primeira vez?”

Porque a transformação profunda raramente é uma estrada reta.

Ela se parece muito mais com uma espiral.

E cada vez que voltamos a um ponto conhecido, podemos descobrir que estamos olhando para ele com outros olhos.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Os Arcanos e as Deusas do Barro!

 

Deusas do Barro: a Mulher de Lama e os Arcanos 

da transformação!

Há momentos em que a vida nos tira da superfície.

Aquilo que parecia organizado começa a perder forma. As certezas diminuem. Algumas relações deixam de fazer sentido. O que antes conseguíamos sustentar já não cabe mais em nós.

E, de repente, aquela imagem de mulher que sempre soube o que fazer, que cuidava de tudo, que mantinha a rotina e seguia em frente começa a se desfazer.

É nesse território que encontramos uma das imagens mais fortes de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés: a Mulher de Lama, presente na análise do conto A Donzela sem Mãos.

No conto, o predador acredita que poderá enfraquecer a donzela retirando dela aquilo que chama de sua “camada civilizada”.

Se ela não puder se banhar, se ficar suja, desgrenhada, longe da aparência organizada que possuía antes, talvez perca também sua força.

Mas acontece justamente o contrário.

Quanto mais a jovem se aproxima da terra, da lama e de sua condição selvagem, mais distante ela fica do domínio do predador.

Aquilo que parecia degradação se transforma em aproximação de uma natureza mais profunda.

E essa passagem possui uma relação impressionante com o Tarô.

Porque os Arcanos também conhecem a linguagem das grandes transformações.

Eles sabem que nem todo caminho espiritual começa na luz.

Alguns começam justamente quando precisamos entrar na floresta.

A Mulher de Lama e A Lua!

Se existe uma carta capaz de nos conduzir ao território da Mulher de Lama, ela é A Lua.

A Lua não ilumina o caminho como o Sol.

Sua luz é indireta.

Ela revela apenas partes.

Cria sombras.

Desperta sensações.

Traz sonhos, memórias, pressentimentos e conteúdos que estavam escondidos sob a superfície.

Quando A Lua aparece em uma leitura, muitas vezes não temos todas as respostas.

Existe algo acontecendo, mas ainda não conseguimos nomear completamente.

É um território muito semelhante à floresta subterrânea apresentada por Clarissa.

Entrar nesse espaço significa aceitar que nem tudo será compreendido imediatamente pela razão.

É preciso desenvolver outro tipo de percepção.

Sentir.

Observar.

Sonhar.

Escutar o corpo.

Perceber aquilo que nos inquieta mesmo quando aparentemente “está tudo bem”.

A Mulher de Lama atravessa exatamente esse território.

Ela já não pertence completamente ao mundo antigo, mas ainda não chegou à nova forma.

Ela está entre mundos.

Assim como A Lua.

A Morte: quando uma antiga identidade precisa terminar!

Depois vem A Morte.

Talvez nenhuma carta seja tão mal compreendida quanto ela.

No Tarô, A Morte raramente fala apenas da morte física. Seu grande tema é o encerramento necessário.

Algo completou seu ciclo.

Uma identidade.

Uma relação.

Uma forma de viver.

Uma crença.

Uma versão de nós mesmas.

O sofrimento muitas vezes começa quando tentamos preservar aquilo que a vida já está desmontando.

A Mulher de Lama sabe disso de uma maneira radical.

A donzela não consegue simplesmente retornar à vida anterior.

A antiga forma foi rompida.

Ela precisará descobrir outra maneira de existir.

É isso que A Morte pergunta:

O que já terminou, mas você ainda está tentando manter vivo?

Algumas transformações só começam quando paramos de reconstruir aquilo que precisava cair.

O Enforcado/O Pendurado: quando as antigas mãos já não funcionam!

Em A Donzela sem Mãos, a perda das mãos é um dos grandes símbolos da narrativa.

Com as mãos, tocamos, realizamos, controlamos, seguramos e construímos.

Perdê-las simbolicamente pode representar um período em que nossas antigas formas de agir já não conseguem resolver aquilo que estamos vivendo.

É impossível não relacionar essa experiência ao Enforcado.

O Enforcado também interrompe a ação.

Ele não avança.

Não conquista.

Não força.

Ele permanece suspenso.

E justamente por não conseguir agir da maneira habitual, começa a enxergar de outra perspectiva.

Há fases em que insistir em “fazer mais” não resolve.

Talvez seja necessário parar.

Observar.

Esperar.

Mudar o ponto de vista.

Perguntar:

E se eu não puder resolver isso do modo como sempre resolvi?

Essa é uma pergunta profundamente iniciática.

Porque há momentos em que a vida não quer mais eficiência.

Quer consciência.

A Imperatriz: o barro como matéria de criação!

Depois da descida, encontramos outro Arcano fundamental: A Imperatriz.

Ela está profundamente ligada à Terra.

Ao corpo.

À fertilidade.

À natureza.

À capacidade de criar e fazer nascer.

E aqui o barro ganha outro significado.

A lama não é apenas sujeira.

É terra misturada com água.

É matéria fértil.

É aquilo que ainda não recebeu sua forma definitiva.

O barro pode ser pressionado.

Remodelado.

Transformado.

Pode guardar marcas e ainda assim receber uma nova forma.

A Imperatriz nos lembra que transformação não significa apenas destruir aquilo que existia.

Também significa gestar aquilo que virá depois.

Talvez você ainda não saiba exatamente quem está se tornando.

Mas alguma coisa já está sendo formada.

Nem todo processo criativo é bonito enquanto acontece.

A semente também rompe antes de brotar.

A terra também parece escura antes de revelar aquilo que estava germinando.

A Força: o reencontro com o instinto!

E então chegamos à Força.

Uma mulher e um animal selvagem.

Mas ela não destrói o animal.

Não o expulsa.

Não precisa vencê-lo pela violência.

Existe relação.

Presença.

Consciência.

Essa é uma imagem poderosa para compreender a Mulher Selvagem.

Durante muito tempo fomos ensinadas a imaginar nossos instintos como algo que precisava ser controlado.

A raiva.

O desejo.

A percepção.

A intuição.

A necessidade de recuar.

A capacidade de dizer não.

A vontade de mudar.

A Força apresenta outra possibilidade.

Não precisamos destruir o animal.

Precisamos aprender sua linguagem.

A mulher que atravessa a lama pode começar a recuperar justamente isso.

Seu faro.

Sua percepção.

Seus limites.

Seu desejo.

Sua capacidade de reconhecer o que alimenta e o que ameaça sua natureza profunda.

Das Deusas de Lama à Mulher de Lama!

Há ainda uma conexão interessante dentro da própria obra de Clarissa.

Em outro capítulo, O Urso da Meia-Lua, aparecem figuras femininas de lama associadas à capacidade de penetrar os aspectos psíquicos das coisas.

Podemos fazer aqui uma leitura simbólica.

Primeiro, encontramos figuras que conhecem aquilo que está abaixo da superfície.

Depois, em A Donzela sem Mãos, encontramos uma mulher que se torna ela própria Mulher de Lama.

É como se a jornada dissesse:

primeiro precisamos rastrear.

Depois precisamos escavar.

E, em determinado momento, precisamos ter coragem de descer até aquilo que encontramos.

É dessa aproximação que nasce a imagem que estamos chamando aqui de Deusas do Barro.

Não como um termo criado por Clarissa, mas como um símbolo para pensar as mulheres que atravessam processos de transformação profunda.

Quando a aparência deixa de ser o centro

Existe uma “camada civilizada” que todos construímos para viver no mundo.

Ela possui sua função.

Mas às vezes nos identificamos demais com ela.

A mulher que dá conta.

A mulher que não incomoda.

A mulher sempre disponível.

A mulher que cuida de todos.

A mulher que nunca demonstra fraqueza.

A mulher que continua sorrindo quando está exausta.

Até que algum acontecimento rompe essa estrutura.

Uma separação.

Uma perda.

Uma mudança profissional.

Uma crise.

Um encontro consigo mesma.

E aquela mulher já não consegue manter tudo exatamente como antes.

Começa a dizer não.

Deseja mais silêncio.

Reduz compromissos.

Questiona relações.

Percebe que algumas expectativas já não lhe pertencem.

Então alguém olha e diz:

“Você mudou.”

Talvez tenha mudado mesmo.

Mas nem toda mudança significa que estamos nos perdendo.

Às vezes estamos simplesmente retirando energia da aparência para descobrir o que existe por baixo dela.

O Tarô não pergunta apenas o que vai acontecer

Esse talvez seja um dos aspectos mais importantes do Tarô.

Ele não serve apenas para perguntar:

“O que vai acontecer comigo?”

Também podemos perguntar:

“O que está acontecendo dentro de mim?”

Qual parte da minha vida está sob A Lua?

O que A Morte está pedindo que eu encerre?

Onde O Enforcado pede que eu pare de forçar?

O que A Imperatriz deseja fazer nascer?

Que instinto A Força está tentando me ensinar a reconhecer?

Quando fazemos essas perguntas, o Tarô deixa de ser apenas um instrumento de previsão.

Torna-se um espelho simbólico.

Uma linguagem para atravessar processos.

A Mulher de Lama não é uma mulher vencida

É importante compreender isso.

A Mulher de Lama está atravessando uma provação.

Ela pode estar cansada.

Ferida.

Desorientada.

Pode já não conseguir sustentar a mesma relação com o mundo.

Mas alguma coisa essencial continua viva.

Ela não diz:

“Eu desisti de mim.”

Ela diz:

“Eu já não preciso parecer intacta para continuar inteira em algum lugar profundo.”

Essa frase poderia atravessar vários Arcanos.

A Lua responderia:

Entre no mistério.

A Morte diria:

Deixe terminar.

O Enforcado pediria:

Não force a resposta.

A Imperatriz lembraria:

Ainda existe vida sendo gestada.

E A Força acrescentaria:

Não abandone seu instinto.

Qual Arcano acompanha sua travessia?

Talvez você esteja vivendo uma fase de barro.

Um momento em que antigas formas já não funcionam e as novas ainda não estão completamente prontas.

Pergunte a si mesma:

Estou na Lua, tentando compreender aquilo que ainda está oculto?

Estou diante da Morte, resistindo ao encerramento de um ciclo?

Estou vivendo o Enforcado, precisando parar de tentar controlar tudo?

Existe uma Imperatriz dentro de mim preparando algo novo?

Ou a Força está me ensinando a recuperar meu instinto e meus limites?

Não existe uma única resposta.

Podemos atravessar mais de um desses Arcanos ao mesmo tempo.

Porque a transformação não acontece em linha reta.

Ela se move em ciclos.

Deusas do Barro

As Deusas do Barro não são mulheres perfeitas.

Não vivem sobre pedestais.

Não estão sempre iluminadas, equilibradas e certas sobre o caminho que devem seguir.

Elas conhecem a terra.

Conhecem as marcas.

Conhecem a noite.

Conhecem os momentos em que é necessário interromper.

Conhecem a dor dos encerramentos.

Mas também conhecem a potência da matéria que ainda pode ser transformada.

Talvez seja isso que a Mulher de Lama e os Arcanos possam nos ensinar juntos:

nem sempre estamos perdidas quando a antiga forma desaparece.

Às vezes estamos apenas entrando profundamente na matéria da nossa própria vida.

E talvez voltar para si não aconteça quando conseguimos finalmente deixar tudo perfeito.

Talvez comece quando paramos de ter medo de sujar as mãos e temos coragem de tocar novamente a terra de onde viemos.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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