quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Marcas de Combate -Capítulo 13!


As lágrimas e o barco da alma!

Clarissa Pinkola Estés abre o capítulo 13 de Mulheres que Correm com os Lobos — Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes com uma imagem muito bonita: as lágrimas formando um rio ao redor do barco que carrega a vida da alma.

Ela descreve esse barco como algo que pode estar preso às pedras ou parado em terreno seco. E são as lágrimas que começam a soltá-lo e devolvem movimento àquilo que estava imobilizado.

Psicologicamente, podemos compreender essa imagem como uma representação da nossa própria vida interior.

Às vezes, depois de experiências difíceis, perdas, medos, vergonhas ou situações que precisaram ser suportadas por muito tempo, alguma coisa dentro de nós pode ficar presa.

As “pedras” podem simbolizar aquilo que nos endureceu: experiências dolorosas, defesas que tivemos de construir, situações em que precisamos ser fortes ou simplesmente continuar.

O “chão seco” pode representar momentos em que falta movimento emocional, quando parece difícil acessar o que sentimos ou quando uma parte da nossa vitalidade fica comprometida.

E então vêm as lágrimas.

Não porque chorar, sozinho, resolva tudo.

Mas porque o choro pode representar o momento em que aquilo que estava contido começa finalmente a encontrar uma passagem.

Clarissa diz que muitas mulheres aprenderam a guardar segredos da família, da sociedade, das pessoas que amavam e também os próprios. Por isso ela afirma que o choro pode abrir os “trincos” e “ferrolhos” daquilo que foi mantido fechado durante muito tempo.

Em termos psicológicos, podemos pensar nesses trincos como defesas internas.

São maneiras que encontramos para não tocar numa dor: não lembrar, não falar, não sentir, evitar determinados assuntos ou manter tudo sob controle.

Essas defesas muitas vezes foram necessárias.

Mas, quando permanecem rígidas por muito tempo, também podem nos deixar sem movimento.

As lágrimas podem ser o começo de outra coisa.

O momento em que a pessoa já não precisa sustentar com tanta força aquilo que estava fechado.

O que antes precisava ser controlado começa a poder ser sentido.

E, quando pode ser sentido, também pode começar a ser reconhecido, compreendido e, mais adiante, colocado em palavras.

Por isso gosto tanto da imagem do barco.

As lágrimas não apagam as pedras.
Não mudam aquilo que aconteceu.
Mas podem ajudar o barco a deixar de permanecer encalhado.

E quando Clarissa diz que esse rio leva o barco para um lugar novo, não precisamos entender isso como chegar imediatamente a um lugar onde não existe mais dor.

Podemos compreender como uma mudança de posição interna.

A pessoa deixa de estar completamente paralisada diante daquilo que viveu e começa novamente a se movimentar psiquicamente.

Não importa quantas lágrimas são derramadas. Não existe um “volume correto” de choro e quem chora mais não necessariamente elabora melhor uma experiência.

O que importa é o que essa imagem representa: a possibilidade de acessar sentimentos que estavam fechados e permitir que a vida interior volte a se mover.

Talvez seja por isso que Clarissa diga que as lágrimas são um princípio de iniciação para o ingresso no Clã das Cicatrizes.

Não porque sofrer seja algo a ser valorizado.

Mas porque reconhecer aquilo que nos marcou pode ser o começo de uma relação diferente com a nossa própria história.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 3 de outubro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o capítulo 13:

Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes.

Vamos refletir sobre os segredos que carregamos, a vergonha, as feridas, a importância de encontrar voz para aquilo que ficou silenciado e o significado das cicatrizes que fazem parte da nossa história.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

03 de outubro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp.

Talvez algumas lágrimas não venham para nos afundar. Talvez venham justamente para colocar novamente em movimento aquilo que, dentro de nós, estava parado.

 🌿 Com carinho,

#mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo13 #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional  #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior # #ProcessosDeCura #SabedoriaFeminina #Limites #Transformação #clãdascicatrizes #marcasdecombate  #rodaterapêutica  #saúdeemocional #psicologiafeminina #curaemocional #femininoselvagem #mulheresquesecuram #históriasdemulheres #desenvolvimentopessoal 

sábado, 19 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Gratidão Urso da Meia-lua!



O Urso da Meia-Lua!

Alguns encontros permanecem com a gente mesmo depois que terminam.

Essa roda foi um desses momentos: um espaço de escuta, troca e reflexão, em que cada fala trouxe uma nova camada para aquilo que estávamos vivendo juntas.

O conto nos convidou a olhar para dentro, reconhecer nossos próprios processos e perceber que transformação também exige tempo, consciência e coragem.

Mais do que encontrar respostas prontas, a roda nos lembrou da importância de compartilhar experiências e permitir que outras perspectivas ampliem aquilo que conseguimos enxergar sozinhas.

Deixo aqui esse pequeno registro de um encontro que, com certeza, deixou marcas bonitas em todas nós.

Gratidão a cada mulher que fez parte dessa vivência!

A próxima Roda Terapêutica será Marcas de Combate no dia 03 de outubro.

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 03 de Outubro
🕞 15h30
💻 Roda virtual pelo Google Meet- chame no whatsApp para se inscrever!

Prepare seu cantinho, seu café ou chá e venha participar conosco.

Espero você!


🌿 Com carinho,

#MuenBotoke #mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo12 #oursodameialua  #Perdão #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional #ressentimento #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior #raiva #curadaraiva  #Paciência #ProcessosDeCura #SabedoriaFeminina #Limites #Transformação 

domingo, 13 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - A raiva - Capítulo 12!

 


O preço de alimentar uma raiva por muitos anos!

Existem raivas que chegam com força, cumprem uma função e depois diminuem.

Mas existem outras que permanecem.

Elas continuam voltando em pensamentos, conversas imaginárias, lembranças repetidas, desejos de reparação e na necessidade de provar que estávamos certas.

Às vezes, a situação já terminou há muito tempo.

A relação acabou.

A pessoa seguiu a vida.

O conflito ficou no passado.

Mas, dentro de nós, a história continua acontecendo.

Voltamos mentalmente à mesma conversa.

Pensamos no que deveríamos ter dito.

Imaginamos o que responderíamos hoje.

Esperamos que o outro reconheça o erro.

Desejamos que finalmente compreenda o quanto nos feriu.

E, sem perceber, uma parte da nossa energia continua sendo investida em algo que já não existe no presente.

A raiva pode ter sido necessária em algum momento.

Talvez ela tenha nos ajudado a perceber uma injustiça.

Talvez tenha mostrado que um limite foi ultrapassado.

Talvez tenha nos dado força para sair de uma situação, dizer “não”, romper uma relação ou proteger algo importante.

Nesse sentido, a raiva pode ter cumprido uma função.

O problema começa quando aquilo que deveria funcionar como um sinal se transforma em um lugar onde continuamos vivendo.

Porque manter uma raiva por muitos anos também custa energia.

Pensar repetidamente sobre o mesmo acontecimento custa energia.

Repassar conversas custa energia.

Imaginar respostas custa energia.

Esperar um pedido de desculpas custa energia.

Desejar que o outro finalmente perceba o que fez custa energia.

E talvez nem percebamos o quanto estamos cansadas porque essa energia foi sendo retirada aos poucos de outros lugares da nossa vida.

Da criatividade.

Dos projetos.

Dos vínculos novos.

Da capacidade de confiar.

Da possibilidade de descansar.

Da vontade de experimentar algo diferente.

É como manter uma porta aberta para uma história que já terminou.

Talvez a raiva continue entrando por ela todos os dias.

E isso não significa que aquilo que aconteceu deixou de ser importante.

Também não significa apagar a memória, justificar quem nos feriu ou fingir que não houve injustiça.

Liberar uma raiva não é dizer:

“Tudo bem.”

Pode significar simplesmente dizer:

“Isso aconteceu. Eu reconheço o que me causou. Aprendi o que precisava aprender. Mas não quero mais gastar a minha vida alimentando essa história.”

Há uma diferença entre lembrar e reviver.

Podemos lembrar de algo sem retornar emocionalmente à cena todas as vezes.

Podemos compreender o passado sem continuar discutindo com ele.

Podemos reconhecer uma ferida sem precisar mantê-la aberta para provar que ela existiu.

Talvez uma das perguntas mais difíceis seja:

O que ainda estou esperando receber dessa pessoa ou dessa história?

Um pedido de desculpas?

Reconhecimento?

Arrependimento?

Justiça?

Que o outro sofra?

Que admita que eu estava certa?

Que finalmente compreenda minha dor?

E depois vem uma pergunta ainda mais difícil:

E se isso nunca acontecer?

Se a nossa paz depender exclusivamente daquilo que o outro precisa fazer, continuamos ligadas àquela pessoa.

Continuamos esperando.

Continuamos cobrando.

Continuamos oferecendo energia.

Talvez o processo de cura comece quando percebemos que podemos desejar justiça sem entregar nossa vida inteira à espera dela.

Podemos estabelecer limites.

Podemos nos afastar.

Podemos lembrar do que aconteceu.

Podemos decidir que aquilo nunca mais será permitido.

E, ainda assim, escolher não continuar alimentando diariamente a raiva.

Isso não acontece de uma vez.

Há histórias que precisam primeiro ser compreendidas.

Há dores que precisam ser reconhecidas.

Há momentos em que a raiva precisa ter espaço para existir antes que possa ser transformada.

Mas chega um ponto em que também precisamos perguntar:

Essa raiva ainda está me protegendo ou apenas está me prendendo?

Porque aquilo que um dia nos deu força pode, depois de muito tempo, começar a nos consumir.

E talvez liberar essa energia seja permitir que ela volte para onde realmente pode produzir vida.

Para um novo projeto.

Para uma nova relação.

Para um interesse que ficou esquecido.

Para uma conversa presente.

Para a criatividade.

Para nós mesmas.

Não se trata de esquecer.

Trata-se de não continuar oferecendo todos os dias a mesma quantidade de energia a algo que já terminou.

Talvez algumas histórias precisem continuar fazendo parte da nossa memória.

Mas não precisam continuar ocupando o centro da nossa vida.

Por isso, vale perguntar:

Quanto da sua energia ainda está sendo usada para manter vivo aquilo que já terminou?

E o que poderia começar a nascer se essa energia finalmente voltasse para você?

Roda Virtual — O Urso da Meia-Lua

No dia 19 de setembro, às 15h30, teremos mais uma roda de conversa virtual pelo Google Meet.

Nosso encontro será inspirado no capítulo “O Urso da Meia-Lua”, de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Vamos conversar sobre raiva, limites, instinto, feridas emocionais, transformação e perdão, procurando compreender as metáforas e símbolos que Clarissa utiliza ao longo desse capítulo tão profundo.

Mais do que entender o texto, a proposta é trazer essas reflexões para a nossa própria história:

O que a nossa raiva tenta nos mostrar?
Onde precisamos colocar limites?
O que ainda carregamos do passado?
E o que já pode ser transformado e deixado descansar?

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 19 de setembro
🕞 15h30
💻 Roda virtual pelo Google Meet- chame no whatsApp para se inscrever!

Prepare seu cantinho, seu café ou chá e venha participar conosco.

Espero você!


🌿 Com carinho,

#MuenBotoke #mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo12 #oursodameialua  #Perdão #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional #ressentimento #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior #raiva #curadaraiva  #Paciência #ProcessosDeCura #SabedoriaFeminina #Limites #Transformação 


sábado, 12 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Paciência - Capítulo 12!

 


Paciência não é passividade!

Há uma diferença enorme entre esperar e estar parada.

Às vezes, confundimos paciência com resignação. Pensamos que ser paciente significa aceitar tudo, não reagir, suportar indefinidamente ou simplesmente aguardar que alguma coisa mude sozinha.

Mas, no conto apresentado por Clarissa Pinkola Estés, a paciência aparece de outra maneira.

A mulher precisa conseguir um pelo do urso. Poderia tentar enfrentá-lo, dominá-lo ou aproximar-se rapidamente para retirar aquilo de que precisa. Mas qualquer uma dessas tentativas provavelmente terminaria mal.

O urso é selvagem.

Ele possui força própria.

Tem seu ritmo.

Não pode ser apressado apenas porque ela deseja chegar logo ao resultado.

Então a mulher começa a fazer algo aparentemente simples, mas profundamente difícil: ela aprende a se aproximar aos poucos.

Observa.

Espera.

Leva alimento.

Volta no dia seguinte.

Percebe a reação do animal.

Avança um pouco.

Recua quando necessário.

E retorna novamente.

À primeira vista, pode parecer que ela está apenas esperando. Mas ela está fazendo exatamente o contrário.

Ela está participando ativamente do processo.

Existe atenção em cada movimento. Existe coragem em cada aproximação. Existe disciplina em cada retorno. Existe escolha no momento de avançar e sabedoria no momento de parar.

Isso é muito diferente de passividade.

A passividade diz: “Não há nada que eu possa fazer.”

A paciência consciente pergunta: “O que posso fazer agora, respeitando o tempo deste processo?”

Talvez essa seja uma das grandes lições da história.

Nem tudo pode ser resolvido pela força.

Nem tudo responde à nossa urgência.

Nem tudo amadurece no momento em que decidimos que já esperamos demais.

E isso é especialmente verdadeiro quando estamos lidando com emoções profundas.

Queremos compreender rapidamente a raiva.

Queremos superar logo uma mágoa.

Queremos deixar de sentir aquilo que incomoda.

Queremos que uma relação se transforme.

Queremos uma resposta.

Queremos sair do desconforto.

Mas existem processos internos que não obedecem à nossa pressa.

Quando carregamos dores antigas, não basta dizer a nós mesmas: “A partir de hoje não vou mais sentir isso.”

Uma emoção construída ao longo de anos dificilmente desaparece porque tivemos uma única compreensão.

Podemos descobrir de onde vem nossa raiva e ainda assim senti-la novamente.

Podemos compreender que determinada reação está ligada ao passado e, mesmo assim, perceber aquela ferida sendo ativada outra vez.

Podemos saber racionalmente que precisamos colocar limites e ainda encontrar dificuldade para pronunciá-los.

Isso não significa que não estamos avançando.

Talvez apenas signifique que estamos aprendendo a nos aproximar do nosso próprio “urso”.

E essa aproximação também exige repetição.

Hoje percebemos a raiva depois de explodir.

Em outro momento, conseguimos percebê-la enquanto estamos explodindo.

Depois, talvez consigamos reconhecê-la alguns segundos antes.

Até que, um dia, sentimos aquela força chegando e conseguimos perguntar:

“O que está acontecendo comigo?”

“O que foi tocado aqui?”

“Que limite está sendo ultrapassado?”

“O que eu realmente preciso fazer?”

É assim que alguma coisa começa a mudar.

Não necessariamente de uma vez.

Mas pouco a pouco.

Talvez a paciência seja exatamente isso: continuar trabalhando mesmo quando a transformação ainda não está visível.

É permanecer comprometida com aquilo que queremos compreender.

É voltar para nós mesmas quantas vezes forem necessárias.

É perceber que repetir um aprendizado não significa ter fracassado.

Às vezes pensamos que, depois de entender alguma coisa, nunca mais deveríamos voltar ao comportamento antigo.

Mas processos emocionais raramente acontecem em linha reta.

Há avanços.

Há recaídas.

Há dias em que conseguimos responder de uma forma nova e outros em que percebemos que fomos novamente tomadas por uma reação conhecida.

A paciência permite olhar para isso sem transformar cada recaída numa condenação.

Ela nos ajuda a perguntar:

“O que ainda preciso aprender aqui?”

Em vez de:

“Por que ainda não consegui mudar?”

Essa diferença parece pequena, mas muda profundamente a maneira como caminhamos.

Também existe outro aprendizado importante no encontro com o urso: saber esperar não significa abandonar os próprios limites.

A mulher respeita o tempo do animal, mas continua retornando.

Ela não invade.

Mas também não desiste de sua busca.

Ela não domina.

Mas continua presente.

Talvez possamos levar essa mesma sabedoria para nossas relações.

Podemos dar tempo a alguém sem permitir que essa pessoa nos machuque indefinidamente.

Podemos compreender que alguém está vivendo um processo difícil e, ainda assim, dizer: “Isso eu não aceito.”

Podemos esperar por uma transformação sem suspender nossa própria vida enquanto ela não acontece.

Podemos ter compaixão e, ao mesmo tempo, manter distância.

Paciência não significa permanecer eternamente diante de uma porta fechada.

Às vezes, ser paciente também significa reconhecer o momento de seguir.

Por isso, a pergunta não é apenas “quanto tempo devo esperar?”

Talvez seja:

“O que estou fazendo enquanto espero?”

Estou aprendendo?

Estou observando?

Estou me fortalecendo?

Estou estabelecendo limites?

Estou mudando a minha forma de responder?

Ou apenas estou paralisada esperando que outra pessoa resolva aquilo que eu não consigo controlar?

Existe uma diferença enorme entre esperar que a vida aconteça e caminhar junto com o tempo necessário para que alguma coisa amadureça.

A mulher do conto não arrancou o pelo do urso à força.

Ela também não ficou sentada ao pé da montanha esperando que o urso viesse até ela.

Ela caminhou.

Observou.

Voltou.

Tentou novamente.

Aprendeu.

E foi se transformando durante esse processo.

Talvez seja essa uma das formas mais bonitas de compreender a paciência:

não como ausência de movimento, mas como a capacidade de continuar caminhando sem violentar o tempo das coisas.

Porque algumas transformações precisam de coragem.

Outras precisam de decisão.

E algumas precisam simplesmente que continuemos presentes tempo suficiente para que aquilo que estamos aprendendo possa criar raízes dentro de nós.

Ter paciência com um processo não significa ficar parada dentro dele.

Significa continuar caminhando, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar claramente o quanto já mudamos.

Roda Virtual — O Urso da Meia-Lua

No dia 19 de setembro, às 15h30, teremos mais uma roda de conversa virtual pelo Google Meet.

Nosso encontro será inspirado no capítulo “O Urso da Meia-Lua”, de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Vamos conversar sobre raiva, limites, instinto, feridas emocionais, transformação e perdão, procurando compreender as metáforas e símbolos que Clarissa utiliza ao longo desse capítulo tão profundo.

Mais do que entender o texto, a proposta é trazer essas reflexões para a nossa própria história:

O que a nossa raiva tenta nos mostrar?
Onde precisamos colocar limites?
O que ainda carregamos do passado?
E o que já pode ser transformado e deixado descansar?

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 19 de setembro
🕞 15h30
💻 Roda virtual pelo Google Meet- chame no whatsApp para se inscrever!

Prepare seu cantinho, seu café ou chá e venha participar conosco.

Espero você!


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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - O Pelo do Urso Não Era a Cura!- Capítulo 12!

 


O pelo do urso não era a cura!

Há momentos em que chegamos à vida como quem chega à porta de uma curandeira: cansadas, feridas, impacientes e querendo uma resposta. Queremos alguma coisa concreta que nos diga o que fazer, que alivie a dor, que devolva alguém ao que era antes, que cure uma relação, que acalme uma raiva ou que organize aquilo que dentro de nós parece ter perdido o lugar. Procuramos uma palavra, um conselho, uma fórmula, um ritual, uma decisão. Procuramos, de algum modo, o nosso próprio “pelo do urso”.

No conto apresentado por Clarissa Pinkola Estés, uma mulher procura ajuda porque seu marido volta da guerra profundamente transformado. Ele está irritado, fechado e tomado por uma raiva que ela não sabe como alcançar. Diante disso, ela procura uma curandeira, esperando encontrar uma solução para aquilo que está vivendo. A curandeira, então, lhe pede algo aparentemente impossível: um pelo retirado da região do pescoço de um urso que vive na montanha.

A mulher aceita a missão e começa a subir.

Mas ela logo percebe que não pode simplesmente se aproximar do animal e arrancar aquilo de que precisa. O urso é selvagem, forte e imprevisível. Não pode ser dominado. Então ela precisa aprender outra coisa. Primeiro, observa de longe. Depois, se aproxima um pouco mais. Leva alimento. Espera. Respeita o tempo do animal. Volta no dia seguinte, e no outro, e no outro. Aos poucos, aprende a perceber quando pode avançar e quando precisa recuar. Aprende a lidar com o medo sem abandonar a tentativa. Aprende a construir confiança sem forçar a aproximação.

Até que, lentamente, aquilo que parecia impossível começa a se tornar possível. O urso permite que ela chegue perto o suficiente. Ela consegue o pelo e desce a montanha acreditando que, finalmente, possui aquilo que irá resolver seu problema.

Mas, quando entrega o pelo à curandeira, acontece algo inesperado: ela o joga no fogo.

E talvez essa seja uma das imagens mais bonitas do conto.

Porque o pelo nunca foi a cura.

A jornada era!

A mulher subiu a montanha procurando um objeto, mas voltou diferente. O que realmente trouxe daquela experiência não podia ser segurado nas mãos. Ela trouxe paciência, porque descobriu que não poderia apressar o urso. Trouxe percepção, porque precisou observar cada movimento antes de se aproximar. Trouxe respeito, porque compreendeu que força não se conquista pela violência. Trouxe coragem, porque continuou avançando mesmo diante do medo. Trouxe disciplina, porque voltou repetidamente, mesmo sem qualquer garantia de que conseguiria o que queria. Trouxe sensibilidade, porque precisou aprender a perceber o momento de aproximar-se e o momento de esperar.

E trouxe também uma compreensão ainda mais profunda: não podemos obrigar alguém, nem a nós mesmas, a se transformar no tempo que desejamos.

Talvez seja por isso que o pelo possa ser queimado. Aquilo que precisava permanecer já havia sido incorporado por ela.

Nós também fazemos isso muitas vezes. Procuramos algo fora de nós acreditando que, quando finalmente conseguirmos, tudo ficará bem. Pensamos: “Se ele mudar, eu vou ficar bem.” “Se ela reconhecer o que fez, vou conseguir seguir.” “Se eu encontrar a resposta certa, minha raiva vai desaparecer.” “Se alguém me disser exatamente o que fazer, tudo se resolve.”

Não há nada de errado em buscar ajuda. Precisamos de pessoas, de conhecimento, de orientação, de terapia, de caminhos que nos apoiem. Mas existem transformações que ninguém consegue nos entregar prontas, porque certas respostas só começam a surgir enquanto percorremos o caminho.

Há ainda uma inversão muito bonita nessa história. A mulher começa sua jornada querendo curar o marido. Era ele quem estava tomado pela raiva. Era ele quem havia mudado. Era ele quem parecia precisar da cura. Mas quem sobe a montanha é ela. Quem enfrenta o medo é ela. Quem aprende a esperar é ela. Quem precisa desenvolver uma nova maneira de se aproximar da força, da dor e daquilo que não pode controlar é ela.

Isso não significa que somos responsáveis pela transformação do outro. Pelo contrário. Talvez o conto esteja justamente mostrando que esse poder não nos pertence. Podemos acompanhar, conversar, estabelecer limites, oferecer presença e mudar nossa forma de responder, mas não podemos arrancar de alguém aquilo que essa pessoa ainda não está pronta para transformar.

O caminho que realmente está ao nosso alcance é o nosso.

E talvez essa seja uma das partes mais difíceis de aceitar. Muitas vezes queremos curar alguém, salvar uma relação, acelerar um processo, eliminar uma emoção ou encontrar uma resposta definitiva. Queremos chegar logo ao fim da montanha. Queremos pegar o pelo.

Mas nem toda cura acontece como imaginávamos.

Às vezes pensamos que cura significa não sentir mais raiva, não lembrar, não sofrer, não ter medo ou nunca mais voltar a determinados lugares internos. Mas talvez a cura seja outra coisa. Talvez seja conseguir visitar esses lugares sem ser dominada por eles. Sentir raiva e ainda escolher como agir. Perceber o medo sem abandonar a si mesma. Reconhecer uma ferida sem transformar cada situação nova numa repetição do passado. Estabelecer limites sem precisar destruir o outro. Dar tempo ao que não pode ser apressado.

A mulher desce da montanha ainda vivendo a mesma realidade. Seu marido não foi magicamente transformado. A vida não se reorganizou num instante. Mas ela já não é a mesma mulher que iniciou a subida.

E isso muda muita coisa.

Podemos compreender intelectualmente que precisamos ter paciência, mas é diferente quando alguma situação da vida nos obriga a praticá-la. Podemos saber que precisamos respeitar nossos limites, mas é diferente quando precisamos finalmente dizer “não”. Podemos repetir que não controlamos os outros, mas é diferente quando precisamos amar alguém sem conseguir salvá-lo. Podemos entender que a raiva precisa ser transformada, mas é diferente quando ela aparece e somos nós que precisamos escolher o que fazer com ela.

Existem conhecimentos que entram pela cabeça. Outros só entram pela experiência.

Talvez seja por isso que a curandeira não ofereça simplesmente uma resposta. Ela oferece uma jornada.

E talvez possamos levar essa pergunta para a nossa própria vida: qual é o meu pelo do urso?

O que eu acredito que precisa acontecer para finalmente ficar bem? Existe alguém que ainda precisa mudar? Existe um pedido de desculpas que continuo esperando? Existe uma resposta que acredito precisar encontrar? Existe alguma situação que estou tentando resolver imediatamente, quando talvez o processo esteja pedindo tempo?

E, principalmente, quem estou me tornando enquanto busco aquilo que desejo?

Talvez exista algo que estejamos perseguindo acreditando ser a solução. Mas talvez, como no conto, o verdadeiro presente não esteja no final da montanha. Talvez esteja em cada passo dado para chegar até lá. Na coragem que desenvolvemos. Nos limites que aprendemos. Na paciência que precisamos cultivar. Nas ilusões que abandonamos. Na força que encontramos. Na pessoa que começa a surgir enquanto caminhamos.

No fim, talvez alguns “pelos do urso” também precisem ser lançados ao fogo.

Porque existem coisas que cumprem sua função simplesmente ao nos fazer caminhar até elas.

Às vezes, aquilo que buscamos não é a cura. A pessoa que nos tornamos durante a busca é que começa a nos curar.

Roda Virtual — O Urso da Meia-Lua

No dia 19 de setembro, às 15h30, teremos mais uma roda de conversa virtual pelo Google Meet.

Nosso encontro será inspirado no capítulo “O Urso da Meia-Lua”, de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Vamos conversar sobre raiva, limites, instinto, feridas emocionais, transformação e perdão, procurando compreender as metáforas e símbolos que Clarissa utiliza ao longo desse capítulo tão profundo.

Mais do que entender o texto, a proposta é trazer essas reflexões para a nossa própria história:

O que a nossa raiva tenta nos mostrar?
Onde precisamos colocar limites?
O que ainda carregamos do passado?
E o que já pode ser transformado e deixado descansar?

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 19 de setembro
🕞 15h30
💻 Roda virtual pelo Google Meet- chame no whatsApp para se inscrever!

Prepare seu cantinho, seu café ou chá e venha participar conosco.

Espero você!


🌿 Com carinho,

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