terça-feira, 3 de novembro de 2026

Arcano O Imperador e o Insight de Mulheres Que Correm Com os Lobos - Capítulo 14!


O momento em que o insight precisa ganhar forma, limite e direção!

Existem momentos em que uma percepção muda completamente a maneira como enxergamos determinada parte da nossa vida.

De repente entendemos uma relação, um comportamento, um medo, uma repetição. Percebemos aquilo que antes não conseguíamos perceber e sentimos que alguma coisa dentro de nós se reorganizou.

Mas todo processo de consciência acaba nos levando a uma segunda questão:

O que fazemos com aquilo que descobrimos?

No quarto estágio de A Donzela sem Mãos, essa pergunta aparece simbolicamente através da figura do Rei.

A Donzela já atravessou o território profundo da psique. Ela perdeu antigas referências, passou pela fome, recebeu auxílio e começou a conhecer uma realidade que antes lhe era desconhecida.

O Rei pertence a esse outro mundo e guarda seus conhecimentos, mas sua função não termina aí.

Ele também representa a capacidade de levar esse conhecimento interior para o mundo de fora.

Esse detalhe é essencial.

Uma experiência interior realmente transformadora não permanece apenas no campo da compreensão.

Mais cedo ou mais tarde, ela começa a modificar a maneira como escolhemos, nos posicionamos, estabelecemos limites e organizamos nossa vida.

Podemos ter um insight profundo sobre determinado padrão e, mesmo assim, continuar vivendo de acordo com ele.

É por isso que existe uma diferença entre saber e incorporar aquilo que sabemos.

Saber que precisamos de limites é diferente de colocá-los.

Reconhecer que uma relação nos esgota é diferente de mudar nossa posição dentro dela.

Perceber que determinada fase terminou é diferente de permitir que ela realmente termine.

Entender que buscamos aprovação é diferente de começar a tomar decisões que não dependem dela.

O conhecimento interior só completa parte de seu movimento quando encontra uma forma de existir no mundo.

É exatamente nesse ponto que podemos estabelecer uma correlação simbólica com o Tarot.

O Rei da história e O Imperador no Tarot!

Essa correspondência não é feita por Clarissa Pinkola Estés; é uma leitura simbólica que podemos construir a partir dos dois arquétipos.

No Tarot, O Imperador está relacionado à estrutura, à autoridade, à organização, à capacidade de estabelecer limites e dar forma concreta a uma realidade.

Ele não representa apenas poder sobre alguma coisa.

Em uma leitura mais interna, pode representar a capacidade de governar a própria vida.

E governar a própria vida não significa controlar tudo.

Significa assumir responsabilidade sobre aquilo que está ao nosso alcance.

Existe uma diferença enorme entre perceber uma verdade interna e organizar a vida a partir dela.

O Imperador nos leva justamente para essa segunda etapa.

Ele pergunta:

Que estrutura precisa mudar para que aquilo que você compreendeu possa realmente existir?

Talvez seja necessário reorganizar seu tempo.

Estabelecer um limite.

Criar uma rotina.

Assumir uma decisão.

Encerrar alguma coisa.

Dar continuidade a um projeto.

Dizer não.

Ou sustentar um sim que ainda provoca medo.

Enquanto determinadas percepções permanecem apenas no plano interior, elas podem continuar sendo possibilidades.

O Imperador pede forma.

Ele transforma intenção em estrutura.

Nesse sentido, ele conversa profundamente com o Rei encontrado pela Donzela: ambos podem simbolizar uma autoridade que não nasce da imposição, mas da capacidade de organizar uma realidade a partir do conhecimento adquirido.

É quando começamos a dizer:

“Agora que sei isso sobre mim, preciso considerar esse conhecimento nas minhas escolhas.”

Esse é um ponto importante porque espiritualidade, autoconhecimento e consciência não deveriam nos afastar da vida concreta.

Pelo contrário.

O verdadeiro teste de uma transformação talvez aconteça justamente quando voltamos para o cotidiano.

Como nos relacionamos?

O que aceitamos?

Como usamos nosso tempo?

Onde colocamos nossa energia?

O que fazemos diante de uma situação que antes nos faria repetir automaticamente um antigo comportamento?

É no cotidiano que aquilo que aprendemos começa a ganhar raízes.

E talvez por isso O Imperador seja uma imagem tão interessante para este momento.

Seu reino não é construído apenas com ideias.

Há chão, fronteiras, escolhas e responsabilidade.

Ele nos lembra que, em algum momento, precisamos nos tornar capazes de administrar o território interior que conquistamos.

Não basta descobrir nosso reino.

Precisamos aprender a governá-lo.

Talvez uma boa pergunta para levar a uma leitura de Tarot seja:

Aquilo que hoje reconheço como verdade interior já está aparecendo na maneira como conduzo minha vida?

Porque existe um momento em todo caminho de consciência em que o próximo passo não é compreender mais.

É começar a viver de maneira diferente.

E talvez seja justamente aí que o insight deixa de ser apenas percepção e se transforma, pouco a pouco, em destino escolhido.

Consultas comigo, agende somente pelo WhatsApp!

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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domingo, 1 de novembro de 2026

A Travessia de Mulheres Que Correm Com os Lobos e o Tarot!


 O guia na travessia: quando a psique desce ao desconhecido!

Em A Donzela sem Mãos, Clarissa Pinkola Estés apresenta uma imagem recorrente nas antigas histórias de iniciação: quando alguém precisa atravessar um território desconhecido, quase sempre existe uma figura que conhece alguma coisa daquele caminho.

Dante teve Virgílio.

Coatlicue teve uma serpente viva que a acompanhou ao mundo de fogo.

A Donzela sem Mãos tem o espírito de branco.

Não são personagens idênticos, nem pertencem à mesma tradição. O que os aproxima é sua função simbólica: acompanhar uma travessia.

Na história da Donzela, isso se torna especialmente claro diante do fosso que circunda o pomar. O espírito de branco abre a passagem, mas não atravessa pela jovem. Ela continua responsável pelo próprio caminho.

Essa imagem é fundamental para compreendermos o que significa um guia no processo de transformação.

O guia não é aquele que oferece todas as respostas.

É aquele que ajuda a conservar o discernimento quando entramos em territórios onde nossos mapas habituais já não funcionam.

Clarissa compara o mundo subterrâneo às profundezas do inconsciente: um território cheio de imagens, arquétipos, desejos, medos, fascínio e possibilidades de transformação. Nem tudo que surge dessas profundezas precisa ser seguido literalmente. É necessário aprender a olhar, interpretar e atravessar.

Por isso, o verdadeiro guia não substitui nossa consciência. Ele ajuda a desenvolvê-la.

No Tarot, encontramos algo semelhante na figura do Eremita. Ele segura uma lanterna, mas sua luz não ilumina toda a estrada de uma vez. Mostra apenas o suficiente para o próximo passo.

Talvez seja exatamente assim que certas orientações chegam.

Não como um mapa completo.

Como uma pequena luz.

Uma percepção.

Um conselho.

Uma imagem.

Uma sincronicidade.

Uma conversa capaz de abrir uma passagem que antes não conseguíamos enxergar.

E há algo ainda mais importante: com o amadurecimento, começamos a reconhecer dentro de nós uma função semelhante.

A capacidade de parar.

Escutar.

Discernir.

Perceber quando avançar e quando esperar.

Talvez seja esse o verdadeiro aprendizado do encontro com o guia: não permanecer eternamente dependente dele, mas desenvolver gradualmente uma relação mais consciente com nossa própria orientação interior.

Há travessias que precisam ser nossas.

Mas as antigas histórias parecem nos lembrar que isso não significa que precisemos entrar no escuro sem nenhuma luz.

O guia não percorre o caminho por nós.
Ele apenas ilumina o suficiente para que possamos continuar caminhando.

a perambulação pode estar relacionada com o luto?

Sim, bastante. A perambulação pode ser lida como uma imagem muito forte do luto, embora Clarissa não reduza esse estágio ao luto propriamente dito.

O que aproxima os dois é justamente a experiência de estar entre mundos. No luto, algo terminou de verdade — uma pessoa morreu, uma relação acabou, um papel deixou de existir, uma fase da vida se encerrou — mas a nova organização interna ainda não aconteceu. A pessoa já não consegue voltar à vida exatamente como era antes, porém ainda não sabe como será a vida depois. Isso é muito parecido com a Donzela: o mapa antigo não serve mais e o novo ainda não foi desenhado.

E Clarissa amplia isso para várias formas de passagem: deixar a casa dos pais, terminar um relacionamento, mudar de uma etapa da vida para outra, atravessar mudanças de identidade. Ela chega a falar nesses movimentos como imagens de morte e ressurreição.

Por isso eu separaria dois tipos de luto:

Luto concreto: morte de alguém, separação, perda de trabalho, perda de saúde, mudança brusca de vida.

Luto simbólico: perceber que uma versão de nós mesmas acabou. A mulher que eu era naquele casamento, naquela idade, naquela profissão, naquela família ou antes de determinada experiência já não existe da mesma maneira.

E esse segundo pode ser muito confuso, porque às vezes não há funeral para aquilo que morreu dentro de nós. Mesmo assim existe saudade, desorientação, raiva, vazio e necessidade de reconstrução.

A perambulação traduz muito bem isso: continuar andando enquanto ainda não sabemos quem seremos depois da perda.

Para a roda, eu colocaria assim:

“A perambulação também pode se parecer muito com o luto: algo terminou, já não conseguimos voltar à vida como ela era, mas ainda não sabemos quem seremos depois dessa perda. É o tempo entre uma identidade que morreu e outra que ainda está nascendo.”

E isso conversa lindamente com o restante do terceiro estágio: a fome, a procura por um novo alimento, o vento e a estrada como novos mestres e, depois, o maná que aparece não para apagar a perda, mas para nos dar alimento suficiente para continuar.

A mulher que entra no segundo nigredo já não é a mesma que entrou no primeiro.= essa frase está certa? nigredo não é fase? fase é feminino

Você está certa em estranhar. “No segundo nigredo” não é a melhor forma.

Como nigredo é tradicionalmente tratado no feminino — e ainda estamos falando de uma fase alquímica — o mais natural é dizer:

“A mulher que entra na segunda nigredo já não é a mesma que entrou na primeira.”

Mas, para ficar ainda mais claro e elegante no texto da roda, eu prefiro:

“A mulher que entra na segunda fase de nigredo já não é a mesma que entrou na primeira.”

Ou, mais fluido:

“Quando a mulher retorna à nigredo, ela já não é a mesma que atravessou a primeira descida.”

Essa última me parece a mais bonita, porque evita parecer que existem “duas nigredos fixas”; reforça a ideia de que ela retorna a uma fase semelhante do ciclo, mas em outro nível de consciência.

No Tarot, essa imagem do guia encontra um eco especial no Eremita. Sua lanterna não ilumina toda a estrada, apenas o suficiente para o próximo passo. Talvez seja justamente isso que um verdadeiro guia faça: não percorre o caminho por nós, não elimina a escuridão e não entrega todas as respostas — apenas oferece luz suficiente para que possamos continuar.

A Lua pode representar esse território profundo, incerto e simbólico que atravessamos; o Eremita, a consciência que nos ajuda a não nos perder dentro dele. E a Morte, quando aparece nesse percurso, lembra que algumas travessias exigem que uma antiga forma de ser termine para que outra possa nascer.

No fim, talvez a questão não seja encontrar alguém que conheça todo o caminho, mas reconhecer aquilo que, em determinado momento, consegue iluminar o próximo passo.

Para uma consulta de Tarot comigo, chamar somente no whatsapp!

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

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Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

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07de Novembro
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sábado, 31 de outubro de 2026

Halloween!

 

Especial de Halloween no Tarot — A Lua, A Morte e A Sacerdotisa!

O Halloween é cercado por imagens de noite, mistério, silêncio, transformação e tudo aquilo que existe entre o conhecido e o desconhecido.

No Tarot, alguns arcanos conversam profundamente com essa atmosfera.

Não porque sejam cartas “assustadoras”, mas porque falam justamente de momentos em que a vida nos pede outra forma de olhar.

Neste Halloween, três arcanos podem nos acompanhar nessa reflexão:

A Lua.
A Morte.
A Sacerdotisa.

A Lua — quando nem tudo está claro!

A Lua fala de caminhos que ainda não conseguimos enxergar completamente.

Ela pode representar dúvidas, medos, percepções confusas, conteúdos do inconsciente e situações em que a razão não consegue organizar tudo imediatamente.

É uma carta que nos lembra que nem sempre temos todas as respostas.

E isso pode ser desconfortável.

Queremos saber.

Queremos ter certeza.

Queremos controlar o próximo passo.

Mas existem fases da vida em que precisamos caminhar mesmo sem enxergar todo o caminho.

A Lua pergunta:

O que estou sentindo, mas ainda não consigo explicar?

Talvez seja um desconforto.

Uma intuição.

Um medo.

Uma sensação de que algo está diferente.

Nem tudo aquilo que sentimos precisa ser imediatamente compreendido.

Às vezes primeiro sentimos.

Depois entendemos.

A Morte — aquilo que precisa terminar!

Poucas cartas provocam tanta reação quanto A Morte.

Mas seu simbolismo não precisa ser entendido literalmente.

Ela fala principalmente de fim de ciclo, desapego, transformação e passagem.

Existem momentos em que algo precisa terminar para que a vida possa continuar de outra forma.

Pode ser uma relação.

Uma maneira de pensar.

Um hábito.

Uma identidade antiga.

Uma expectativa.

Uma versão de nós mesmas que já cumpriu sua função.

Às vezes tentamos prolongar aquilo que já terminou internamente.

E isso também produz sofrimento.

A Morte pergunta:

O que já terminou em minha vida, mas eu ainda estou tentando manter?

Nem todo final é fracasso.

Alguns finais são apenas o reconhecimento de que determinada forma de viver não nos serve mais.

A Sacerdotisa — o silêncio que sabe!

Se A Lua nos leva ao mistério e A Morte nos fala de transformação, A Sacerdotisa nos convida ao silêncio.

Ela representa uma sabedoria que não precisa aparecer imediatamente em palavras.

Existe conhecimento que nasce da observação.

Da espera.

Da intuição.

Daquilo que percebemos antes mesmo de conseguir explicar.

A Sacerdotisa não se apressa.

Ela observa.

Escuta.

Espera o momento certo.

E isso pode ser muito difícil em uma época em que sentimos que precisamos ter respostas rápidas para tudo.

Ela pergunta:

O que eu já sei profundamente, mas ainda não tive coragem de admitir para mim mesma?

Talvez essa seja uma das perguntas mais poderosas que podemos fazer.

Porque muitas vezes não estamos procurando uma resposta.

Estamos procurando coragem para reconhecer aquilo que já percebemos.

Três arcanos, um mesmo movimento!

A Lua nos coloca diante do desconhecido.

A Morte mostra que alguma coisa precisa mudar.

E A Sacerdotisa nos convida a escutar antes de agir.

Juntas, essas cartas contam uma história muito humana:

primeiro sentimos que algo não está claro; depois percebemos que uma transformação está acontecendo; e, finalmente, precisamos silenciar para compreender o que essa mudança está pedindo de nós.

Talvez o Halloween nos lembre exatamente disso.

Nem toda escuridão é ausência.

Algumas são espaços de gestação.

Nem todo fim é destruição.

Alguns são passagem.

Nem todo silêncio é vazio.

Alguns guardam respostas.

E o que isso tem a ver com você?

Talvez você esteja vivendo um momento em que não consegue compreender completamente o que está acontecendo.

Talvez alguma coisa esteja chegando ao fim.

Talvez exista uma decisão que você ainda não sabe como tomar.

Ou talvez você apenas sinta que sua vida está pedindo uma mudança.

O Tarot pode ajudar a trazer clareza para aquilo que hoje parece confuso, mostrando aspectos da situação que talvez estejam difíceis de perceber sozinha.

Não para decidir por você.

Mas para ajudar você a compreender melhor o momento que está vivendo.

Quer olhar com mais profundidade para uma situação da sua vida?

Se você está atravessando uma fase de dúvidas, mudanças, relacionamentos ou decisões e sente que precisa enxergar sua situação por outro ângulo, podemos olhar juntas através do Tarot.

Para agendar sua consulta comigo, fale comigo somente pelo WhatsApp.

Que este Halloween seja um convite para olhar com menos medo para aquilo que está mudando.

Porque, às vezes, o que parece escuridão é apenas uma parte da nossa história que ainda não foi iluminada.

Feliz Halloween.

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Nossa Próxima Roda Terapêutica está com inscrições abertas!

07de Novembro
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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Tarot e as Mãos Que Sentem de Mulheres Que Correm Com os Lobos!

 


As mãos que sentem: percepção, transmissão e o antigo mistério do toque!

Há uma imagem em A Donzela sem Mãos que pode parecer simples até percebermos tudo o que está escondido dentro dela.

As mãos.

Clarissa Pinkola Estés dedica um trecho especialmente bonito de sua interpretação ao poder simbólico das mãos e afirma que elas não funcionam apenas como receptoras, mas também como transmissoras.

A frase abre uma porta enorme.

Porque normalmente pensamos nas mãos como instrumentos de ação. São elas que pegam, fazem, constroem, escrevem, trabalham e transformam a matéria. Mas, simbolicamente, a mão também percebe.

Ela toca o mundo e o mundo toca de volta.

Clarissa lembra que conseguimos perceber muito através de um abraço, de um aperto de mão, de um toque sobre o ombro. Intensidade, duração, pressão, calor: o corpo recolhe informações antes mesmo que o pensamento consiga explicá-las.

É como se a mão tivesse sua própria inteligência.

Isso ajuda a compreender por que tantas tradições humanas atribuíram às mãos um lugar sagrado.

Mãos são erguidas para abençoar.

São colocadas sobre alguém durante rituais.

São voltadas para imagens sagradas.

São desenhadas em paredes e cavernas.

São usadas para proteger, receber, oferecer e consagrar.

Clarissa percorre justamente algumas dessas imagens: as mãos que parecem receber luz nas representações religiosas mediterrâneas, as palmas da Virgem de Guadalupe voltadas para quem a observa e a antiga marca de uma mão vermelha navajo associada à ideia de segurança.

Muito antes de discutirmos energia, espiritualidade ou terapias, o ser humano já parecia saber simbolicamente que as mãos carregam presença.

E é nesse ponto que encontramos uma interessante aproximação com o Reiki.

Clarissa não menciona Reiki e não devemos colocar suas palavras dentro de uma tradição específica que ela não nomeia. Mas quem conhece a prática reconhece imediatamente a ressonância.

No Reiki, a imposição das mãos ocupa um lugar central.

Mas talvez o aspecto mais interessante não esteja em pensar nas mãos como ferramentas mágicas.

Está em pensar nelas como um ponto de encontro.

A mão recebe.

A mão transmite.

A mão percebe.

A mão oferece presença.

E existe uma diferença importante entre tocar alguém querendo controlar aquilo que está acontecendo e aproximar-se com disponibilidade para acompanhar.

Talvez essa seja uma das formas mais antigas de cuidado.

Quando uma criança se machuca, muitas vezes sua primeira reação é procurar uma mão conhecida.

Quando alguém recebe uma notícia difícil, seguramos sua mão.

Quando uma pessoa está doente, tocar suavemente seu braço pode comunicar mais do que uma longa tentativa de encontrar as palavras certas.

O gesto parece dizer:

“Eu continuo aqui.”

E talvez essa seja uma das mensagens mais profundas transmitidas pelas mãos.

Mas em A Donzela sem Mãos existe também o outro lado desse símbolo.

As mãos são cortadas.

E, simbolicamente, isso significa muito mais do que uma mutilação corporal.

A Donzela perde temporariamente sua capacidade habitual de pegar, segurar, proteger, agir, consolar e interferir diretamente sobre aquilo que acontece.

É uma imagem radical de impotência.

Quem nunca viveu uma fase assim?

Há situações em que nossas “mãos psíquicas” parecem desaparecer.

Não conseguimos controlar.

Não conseguimos resolver.

Não conseguimos salvar.

Não conseguimos simplesmente estender o braço e recolocar tudo no lugar.

E talvez a vida faça isso conosco algumas vezes exatamente porque passamos anos acreditando que força significa capacidade de controlar tudo.

A Donzela terá de descobrir outra força.

Primeiro, ela precisará aprender a continuar existindo mesmo quando suas ferramentas habituais já não estão disponíveis.

Essa imagem também transforma a nossa compreensão do cuidado.

Porque muitas vezes confundimos cuidado com solução.

Queremos tirar a dor de quem amamos.

Resolver o problema.

Encontrar a resposta.

Dar o conselho certo.

Mas existem sofrimentos diante dos quais nossas mãos não têm o poder de mudar aquilo que aconteceu.

E ainda assim elas podem permanecer.

Talvez seja aí que a presença adquira um significado quase sagrado.

Uma mão não precisa resolver para acolher.

Não precisa explicar para confortar.

Não precisa modificar a realidade para dizer:

“Você não está sozinho.”

No Tarot, a mão também aparece constantemente como símbolo de manifestação e relação com o mundo.

O Mago direciona forças e transforma intenção em ação.

A Imperatriz toca a dimensão fértil e sensorial da existência.

A Força aproxima suas mãos do animal sem destruí-lo, numa relação em que poder não significa violência, mas presença consciente diante do instinto.

E talvez seja justamente essa última imagem que mais dialogue com o que Clarissa está nos mostrando.

A mão que realmente possui força não precisa esmagar.

Ela sabe tocar.

Também podemos pensar na própria prática de abrir as cartas.

Em algum momento, nossas mãos embaralham.

Cortam o baralho.

Escolhem.

Viramos uma carta.

Há uma inteligência corporal nesse ritual que muitas vezes passa despercebida.

Não porque a mão necessariamente “saiba o futuro”, mas porque o ato de tocar cria participação.

Nós deixamos de ser observadores distantes e entramos fisicamente no símbolo.

Talvez seja por isso que tantas práticas espirituais envolvam as mãos.

Elas fazem a ponte entre o invisível e o concreto.

Entre aquilo que sentimos internamente e aquilo que conseguimos oferecer ao mundo.

Mas existe uma pergunta ainda mais importante.

Se nossas mãos transmitem, o que estamos transmitindo através delas?

Isso vale para uma sessão de Reiki.

Vale para uma leitura de Tarot.

Vale para um abraço.

Vale para um cuidado.

Vale para qualquer encontro humano.

Estamos transmitindo ansiedade ou presença?

Necessidade de controlar ou capacidade de acompanhar?

Medo ou segurança?

Julgamento ou acolhimento?

Talvez a verdadeira espiritualidade das mãos comece justamente nessa consciência.

Não na fantasia de que podemos controlar a vida do outro, mas no reconhecimento de que nossa maneira de estar diante dele já é uma forma de comunicação.

Clarissa nos leva ainda mais fundo quando mostra que retirar as mãos da Donzela significa afastá-la temporariamente de sua capacidade de sentir, cuidar e curar da forma conhecida.

Isso nos faz perceber algo curioso.

Às vezes, antes de recuperarmos nossas mãos simbólicas, precisamos descobrir quem somos sem elas.

Quem somos quando não conseguimos resolver?

Quem somos quando não podemos controlar?

Quem somos quando não temos resposta?

Quem somos quando tudo o que podemos oferecer é presença?

Talvez seja justamente aí que comece outra forma de poder.

Menos ruidosa.

Menos ansiosa.

Menos preocupada em demonstrar força.

Uma força que consegue simplesmente estar.

E talvez seja por isso que o mistério das mãos tenha atravessado tantos séculos, tantas culturas e tantas formas de espiritualidade.

Porque a mão é uma fronteira.

É onde terminamos e começamos a encontrar o outro.

Ela recebe o mundo pela pele.

E também devolve algo ao mundo através do toque.

Talvez o Reiki tenha preservado, à sua maneira, uma intuição muito antiga: há momentos em que colocar as mãos não significa fazer mais, mas estar mais presente.

E talvez essa seja a pergunta que valha guardar:

Quando minhas mãos tocam o mundo, o que elas estão levando de mim?

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No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

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Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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