O que significa escutar alguém com o coração comovido?
Nem sempre quem fala sobre uma dor precisa de conselho.
Às vezes, precisa apenas encontrar alguém que consiga permanecer ali.
No capítulo Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes, Clarissa Pinkola Estés fala sobre a importância de encontrar alguém capaz de “escutar com o coração comovido”.
Para ela, isso significa conseguir ser tocada pela dor do outro, sentir aquela “fisgada no coração”, mas sem perder o controle.
Ou seja, não é uma escuta fria.
Mas também não é uma escuta em que quem ouve se desorganiza tanto que a pessoa que está sofrendo acaba precisando cuidar de quem deveria estar acolhendo.
Escutar com o coração comovido é conseguir dizer, mesmo sem palavras:
“Eu estou aqui.”
“Eu entendo que isso te marcou.”
“Você pode falar.”
E talvez isso pareça simples, mas nem sempre é.
Quando alguém conta uma dor, muitas vezes sentimos vontade de diminuir aquilo, tentar resolver rápido ou encerrar o assunto:
“Esquece isso.”
“Segue sua vida.”
“Não pensa mais nisso.”
“Já passou.”
Só que, para quem está falando, essas respostas podem soar como:
“O que você sentiu não é tão importante assim.”
Clarissa mostra justamente o contrário.
Parte da recuperação da vergonha pode acontecer quando uma história finalmente encontra alguém que não julga, não minimiza e não foge daquilo que está sendo contado.
Isso não significa concordar com tudo.
Também não significa assumir a dor do outro como se fosse nossa.
Significa conseguir permanecer emocionalmente presente.
Escutar de verdade talvez seja uma das formas mais profundas de cuidado.
Porque algumas pessoas passaram anos tentando encontrar coragem para dizer:
“Isso aconteceu comigo.”
E, quando finalmente conseguem falar, talvez a resposta de que mais precisem seja simplesmente:
“Eu ouvi você.”
Talvez a pergunta que fique, seja:
Quando alguém nos conta uma dor, estamos realmente escutando — ou apenas esperando a nossa vez de responder?
Nossa próxima roda, inscrições abertas!
No dia 3 de outubro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o capítulo 13:
Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes.
Vamos refletir sobre os segredos que carregamos, a vergonha, as feridas, a importância de encontrar voz para aquilo que ficou silenciado e o significado das cicatrizes que fazem parte da nossa história.
Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.
03 de outubro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp.
Talvez algumas lágrimas não venham para nos afundar. Talvez venham justamente para colocar novamente em movimento aquilo que, dentro de nós, estava parado.
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