Uma reflexão sobre fé popular, memória afetiva, tradição
e os símbolos do Tarot no mês de junho!
Junho tem cheiro de memória.
Tem cheiro de milho cozido, canjica, quentão, fogueira,
terra fria, bandeirinhas coloridas e reencontros. É um mês que parece acender
alguma coisa dentro da gente. Mesmo quem não participa de grandes festas sente
que junho carrega uma energia própria: uma mistura de fé, alegria, saudade,
tradição e pertencimento.
No dia 24 de junho, celebramos São João, um
dos santos mais lembrados nas festas juninas. A noite do dia 23 de junho,
é conhecida como a noite de São João, marcada tradicionalmente pelas fogueiras,
pelos encontros e pelas celebrações populares.
Mas, para além da festa, São João também nos convida a
olhar para um símbolo muito poderoso: o fogo.
O
fogo de São João!
A fogueira é uma das imagens mais fortes da Festa Junina.
Ela aquece, ilumina, reúne pessoas ao redor e transforma a noite em espaço de
convivência.
No campo simbólico, o fogo representa transformação. Ele
queima o que já não serve, ilumina o que estava escuro e aquece aquilo que
estava frio dentro de nós.
Talvez por isso a festa junina mexa tanto com a memória
afetiva. Ela nos leva de volta a um tempo mais simples, às brincadeiras, às
roupas coloridas, às comidas feitas com cuidado, às músicas que atravessam
gerações e à sensação de estar junto.
É como se, por alguns instantes, a vida lembrasse que
também precisa de pausa, celebração e calor humano.
São
João e o chamado da alegria!
São João é uma festa de fé, mas também de alegria.
E isso é muito bonito, porque nem toda espiritualidade
precisa ser silenciosa, séria ou recolhida. Algumas formas de fé dançam.
Cantam. Pulam fogueira. Repartem comida. Abraçam a comunidade.
A Festa Junina nos lembra que o sagrado também pode estar
na simplicidade: em uma mesa compartilhada, em uma conversa no frio, em uma
música antiga, em uma promessa feita com o coração, em uma criança correndo
entre bandeirinhas.
Existe espiritualidade no altar, mas também existe
espiritualidade no encontro.
Existe fé na oração, mas também existe fé na coragem de
celebrar a vida mesmo depois de tantas travessias.
O
Tarot e o fogo de junho!
Pelo olhar do Tarot, São João e a Festa Junina podem
conversar com vários arcanos.
O primeiro que aparece é O Sol. Ele representa
alegria, vitalidade, clareza, celebração e vida. O Sol fala dessa energia que
aquece, ilumina e nos lembra que ainda existe beleza no caminho.
A Festa Junina também conversa com o Seis de Copas,
arcano das memórias afetivas, da infância, da nostalgia e dos vínculos que
guardamos no coração. Muitas pessoas se lembram das festas da escola, da
família, das comidas da infância, das músicas que ouviam quando eram pequenas.
Junho traz essa ponte entre passado e presente.
Outro arcano possível é o Ás de Paus, símbolo do
fogo criativo, da faísca, do recomeço e da energia vital. A fogueira de São
João pode ser vista como esse convite para reacender aquilo que ficou apagado.
E, em um sentido mais profundo, também podemos pensar na Torre
— não como destruição negativa, mas como libertação. O fogo pode queimar velhos
padrões, crenças endurecidas, medos antigos e tudo aquilo que precisa ser
entregue para que um novo caminho se abra.
O que
você precisa entregar à fogueira?
Toda tradição carrega uma pergunta escondida.
E a pergunta que São João me traz é:
O que você precisa entregar ao fogo para seguir mais
leve?
Talvez seja uma culpa antiga.
Talvez seja um medo que já ocupou espaço demais.
Talvez seja uma esperança que morreu e precisa dar lugar a
outra.
Talvez seja a necessidade de controlar tudo.
Talvez seja uma versão sua que tentou sobreviver por muito
tempo, mas que agora já não precisa mais comandar sua vida.
O fogo de São João não precisa ser apenas uma fogueira
externa. Ele pode ser um fogo simbólico, interno, íntimo. Um fogo que
transmuta, que aquece, que ilumina e que nos devolve movimento.
Festa
Junina como memória e pertencimento!
A Festa Junina também fala de pertencimento.
As bandeirinhas, as comidas, as danças e os santos
populares formam uma linguagem coletiva. Mesmo em cidades grandes, essa
tradição ainda guarda algo de comunidade, de interior, de terreiro, de praça,
de encontro.
Junho nos lembra que ninguém vive apenas de produtividade.
A alma também precisa de festa. Precisa de cor. Precisa de música. Precisa de
riso. Precisa de um lugar onde possa descansar sem precisar explicar tudo.
Talvez seja por isso que a Festa Junina continue tão viva:
porque ela toca uma parte da gente que sente falta de simplicidade.
Simplicidade não como falta, mas como essência.
Uma
reflexão para este São João!
Neste São João, talvez a gente possa olhar para a fogueira
com outros olhos.
Não apenas como tradição, mas como símbolo.
Que ela aqueça o que anda frio dentro de você.
Que ilumine o que está confuso.
Que ajude a queimar o que já não precisa seguir com você.
Que traga de volta a alegria simples, aquela que não
depende de grandes acontecimentos para existir.
Que São João nos lembre que a vida também precisa ser
celebrada. Mesmo em meio às dificuldades. Mesmo depois das perdas. Mesmo quando
o caminho ainda não está totalmente claro.
Porque há momentos em que a fé não chega como resposta.
Ela chega como fogo.
E, às vezes, tudo o que a alma precisa é de uma pequena
chama para lembrar que ainda pode recomeçar.
🌿 Com carinho,
Terapeuta Integrativa & Taróloga
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