domingo, 1 de novembro de 2026

A Travessia de Mulheres Que Correm Com os Lobos e o Tarot!


 O guia na travessia: quando a psique desce ao desconhecido!

Em A Donzela sem Mãos, Clarissa Pinkola Estés apresenta uma imagem recorrente nas antigas histórias de iniciação: quando alguém precisa atravessar um território desconhecido, quase sempre existe uma figura que conhece alguma coisa daquele caminho.

Dante teve Virgílio.

Coatlicue teve uma serpente viva que a acompanhou ao mundo de fogo.

A Donzela sem Mãos tem o espírito de branco.

Não são personagens idênticos, nem pertencem à mesma tradição. O que os aproxima é sua função simbólica: acompanhar uma travessia.

Na história da Donzela, isso se torna especialmente claro diante do fosso que circunda o pomar. O espírito de branco abre a passagem, mas não atravessa pela jovem. Ela continua responsável pelo próprio caminho.

Essa imagem é fundamental para compreendermos o que significa um guia no processo de transformação.

O guia não é aquele que oferece todas as respostas.

É aquele que ajuda a conservar o discernimento quando entramos em territórios onde nossos mapas habituais já não funcionam.

Clarissa compara o mundo subterrâneo às profundezas do inconsciente: um território cheio de imagens, arquétipos, desejos, medos, fascínio e possibilidades de transformação. Nem tudo que surge dessas profundezas precisa ser seguido literalmente. É necessário aprender a olhar, interpretar e atravessar.

Por isso, o verdadeiro guia não substitui nossa consciência. Ele ajuda a desenvolvê-la.

No Tarot, encontramos algo semelhante na figura do Eremita. Ele segura uma lanterna, mas sua luz não ilumina toda a estrada de uma vez. Mostra apenas o suficiente para o próximo passo.

Talvez seja exatamente assim que certas orientações chegam.

Não como um mapa completo.

Como uma pequena luz.

Uma percepção.

Um conselho.

Uma imagem.

Uma sincronicidade.

Uma conversa capaz de abrir uma passagem que antes não conseguíamos enxergar.

E há algo ainda mais importante: com o amadurecimento, começamos a reconhecer dentro de nós uma função semelhante.

A capacidade de parar.

Escutar.

Discernir.

Perceber quando avançar e quando esperar.

Talvez seja esse o verdadeiro aprendizado do encontro com o guia: não permanecer eternamente dependente dele, mas desenvolver gradualmente uma relação mais consciente com nossa própria orientação interior.

Há travessias que precisam ser nossas.

Mas as antigas histórias parecem nos lembrar que isso não significa que precisemos entrar no escuro sem nenhuma luz.

O guia não percorre o caminho por nós.
Ele apenas ilumina o suficiente para que possamos continuar caminhando.

a perambulação pode estar relacionada com o luto?

Sim, bastante. A perambulação pode ser lida como uma imagem muito forte do luto, embora Clarissa não reduza esse estágio ao luto propriamente dito.

O que aproxima os dois é justamente a experiência de estar entre mundos. No luto, algo terminou de verdade — uma pessoa morreu, uma relação acabou, um papel deixou de existir, uma fase da vida se encerrou — mas a nova organização interna ainda não aconteceu. A pessoa já não consegue voltar à vida exatamente como era antes, porém ainda não sabe como será a vida depois. Isso é muito parecido com a Donzela: o mapa antigo não serve mais e o novo ainda não foi desenhado.

E Clarissa amplia isso para várias formas de passagem: deixar a casa dos pais, terminar um relacionamento, mudar de uma etapa da vida para outra, atravessar mudanças de identidade. Ela chega a falar nesses movimentos como imagens de morte e ressurreição.

Por isso eu separaria dois tipos de luto:

Luto concreto: morte de alguém, separação, perda de trabalho, perda de saúde, mudança brusca de vida.

Luto simbólico: perceber que uma versão de nós mesmas acabou. A mulher que eu era naquele casamento, naquela idade, naquela profissão, naquela família ou antes de determinada experiência já não existe da mesma maneira.

E esse segundo pode ser muito confuso, porque às vezes não há funeral para aquilo que morreu dentro de nós. Mesmo assim existe saudade, desorientação, raiva, vazio e necessidade de reconstrução.

A perambulação traduz muito bem isso: continuar andando enquanto ainda não sabemos quem seremos depois da perda.

Para a roda, eu colocaria assim:

“A perambulação também pode se parecer muito com o luto: algo terminou, já não conseguimos voltar à vida como ela era, mas ainda não sabemos quem seremos depois dessa perda. É o tempo entre uma identidade que morreu e outra que ainda está nascendo.”

E isso conversa lindamente com o restante do terceiro estágio: a fome, a procura por um novo alimento, o vento e a estrada como novos mestres e, depois, o maná que aparece não para apagar a perda, mas para nos dar alimento suficiente para continuar.

A mulher que entra no segundo nigredo já não é a mesma que entrou no primeiro.= essa frase está certa? nigredo não é fase? fase é feminino

Você está certa em estranhar. “No segundo nigredo” não é a melhor forma.

Como nigredo é tradicionalmente tratado no feminino — e ainda estamos falando de uma fase alquímica — o mais natural é dizer:

“A mulher que entra na segunda nigredo já não é a mesma que entrou na primeira.”

Mas, para ficar ainda mais claro e elegante no texto da roda, eu prefiro:

“A mulher que entra na segunda fase de nigredo já não é a mesma que entrou na primeira.”

Ou, mais fluido:

“Quando a mulher retorna à nigredo, ela já não é a mesma que atravessou a primeira descida.”

Essa última me parece a mais bonita, porque evita parecer que existem “duas nigredos fixas”; reforça a ideia de que ela retorna a uma fase semelhante do ciclo, mas em outro nível de consciência.

No Tarot, essa imagem do guia encontra um eco especial no Eremita. Sua lanterna não ilumina toda a estrada, apenas o suficiente para o próximo passo. Talvez seja justamente isso que um verdadeiro guia faça: não percorre o caminho por nós, não elimina a escuridão e não entrega todas as respostas — apenas oferece luz suficiente para que possamos continuar.

A Lua pode representar esse território profundo, incerto e simbólico que atravessamos; o Eremita, a consciência que nos ajuda a não nos perder dentro dele. E a Morte, quando aparece nesse percurso, lembra que algumas travessias exigem que uma antiga forma de ser termine para que outra possa nascer.

No fim, talvez a questão não seja encontrar alguém que conheça todo o caminho, mas reconhecer aquilo que, em determinado momento, consegue iluminar o próximo passo.

Para uma consulta de Tarot comigo, chamar somente no whatsapp!

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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