domingo, 11 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!

 

A macieira florida: o que em nós ainda precisa de tempo para amadurecer?

Em A Donzela sem Mãos, Clarissa Pinkola Estés apresenta a macieira florida como muito mais do que uma árvore do conto.

Ela representa um aspecto profundo da vida feminina.

A macieira tem raízes, flores, frutos, estações. Passa pelo inverno, volta à primavera, floresce, amadurece.

E é justamente por isso que ela se torna uma imagem tão poderosa para falar da nossa própria vida interior. 

Nem tudo o que parece pronto está maduro!

Clarissa lembra que, no fim da primavera, a maçã já pode estar bonita, redonda e com aparência de madura.

Mas ainda está ácida.

Só mais tarde, depois de atravessar seu tempo de maturação, ela se torna doce. 

Essa imagem nos traz uma reflexão importante:

aparência de maturidade não é a mesma coisa que maturidade interior.

Podemos parecer prontas.

Podemos cumprir responsabilidades, trabalhar, cuidar de pessoas, tomar decisões, sustentar uma casa, ocupar lugares importantes.

E ainda assim existem partes de nós que continuam em processo de amadurecimento.

Isso não significa fracasso.

Significa que algumas coisas simplesmente precisam de tempo.

Criar raízes!

Clarissa diz que a macieira e a donzela são símbolos intercambiáveis do Self feminino.

O fruto representa a maturação do conhecimento desse Self.

Mas esse conhecimento não nasce pronto.

As raízes precisam procurar seu chão. As estações precisam passar. O amadurecimento precisa acontecer. 

Talvez por isso algumas respostas sobre nós mesmas demorem tanto.

Quem sou eu?

O que realmente quero?

O que não aceito mais?

O que preciso proteger?

O que estou tentando construir?

Às vezes, essas respostas não aparecem porque ainda estamos criando raízes.

E raízes crescem no subterrâneo.

Nem sempre são visíveis.

Há crescimento que ninguém vê!

Uma árvore pode parecer parada durante o inverno.

Mas isso não significa que esteja morta.

Clarissa usa a imagem da mulher-árvore justamente para falar de uma energia de florescimento que chega em ciclos.

Existe inverno psíquico.

Existe primavera psíquica.

Existem períodos em que algo em nós floresce intensamente e outros em que precisamos recolher, aprofundar, reorganizar. 

Talvez um dos erros que cometemos seja esperar de nós mesmas uma primavera permanente.

Queremos estar sempre produtivas.

Criativas.

Animadas.

Cheias de respostas.

Mas a natureza não funciona assim.

E talvez nós também não.

A macieira também fala de criatividade!

Clarissa associa a árvore à fecundidade, ao impulso criador e ao amadurecimento das ideias.

Ou seja: florescer não significa apenas estar bem.

Também significa criar.

Dar forma.

Produzir algo que antes existia apenas como possibilidade. 

Pode ser um projeto.

Uma escolha.

Uma nova forma de viver.

Uma mudança de direção.

Uma ideia.

Uma expressão artística.

Ou até uma versão de nós mesmas que ainda está começando a existir.

O perigo de não reconhecer o próprio valor!

Há um momento particularmente forte no conto.

O pai acredita estar entregando apenas a macieira e diz:

“Claro que podemos plantar outra.”

Mas Clarissa mostra que essa fala representa uma profunda desvalorização.

A psique ainda não reconhece o valor daquela árvore.

Não reconhece tudo aquilo que ela representa: criatividade, potencial, vida selvagem, amadurecimento, profundidade.

O jovem Self é entregue antes que seu verdadeiro valor seja compreendido. 

E talvez isso também aconteça conosco.

Às vezes só percebemos o valor de uma parte de nós depois que já a abandonamos.

Uma vocação.

Uma liberdade.

Uma criatividade.

Um limite.

Uma forma de viver.

Um desejo antigo.

Uma necessidade legítima.

Talvez tenhamos pensado:

“Depois eu recupero.”

“Isso não é tão importante.”

“Posso abrir mão disso.”

“Dá para plantar outra.”

E só depois percebemos que não era algo pequeno.

Era uma parte importante da nossa vida.

A macieira florida é nossa vida profunda!

Clarissa resume toda essa imagem em uma frase:

“A macieira florida é nossa vida profunda.” 

Talvez seja por isso que essa árvore nos toca tanto.

Ela nos lembra de algo que o mundo externo nem sempre consegue medir.

Existe uma vida acontecendo dentro de nós.

Existem raízes crescendo.

Ideias amadurecendo.

Instintos se tornando mais claros.

Partes antigas morrendo.

Outras começando a florescer.

E nem tudo precisa estar pronto agora.

Algumas coisas precisam apenas de tempo, profundidade e cuidado.

Talvez a pergunta seja:

Que parte da sua vida profunda está florescendo hoje?

E outra, talvez ainda mais importante:

O que em você ainda precisa de raízes, tempo e proteção antes de poder dar frutos?


Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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