sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!

 


Nem tudo que nos fortalece precisava ter acontecido!

Depois de atravessar uma experiência difícil, é comum ouvir frases como:

“Foi bom que aconteceu.”
“Deus quis assim.”
“Você precisava passar por isso para ficar mais forte.”

Às vezes essas frases são ditas com a intenção de consolar.

Mas existe uma diferença importante entre reconhecer que uma pessoa desenvolveu força depois de uma experiência e concluir que aquela experiência precisava ter acontecido.

No capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés faz uma ressalva muito clara ao falar sobre resistência. Ela explica que o fato de alguém se fortalecer depois de uma experiência não torna aceitável o mal que lhe foi feito.

Essa diferença parece simples, mas muda muita coisa.

Fortalecer-se depois não transforma a dor em algo bom!

Uma pessoa pode desenvolver limites depois de ter sido invadida.

Pode aprender a se posicionar depois de ter sido silenciada.

Pode encontrar autonomia depois de ter vivido uma relação em que perdeu espaço.

Pode reconstruir a própria vida depois de uma perda.

Tudo isso é real.

Mas nada disso significa que a invasão, o silenciamento, a relação destrutiva ou a perda tenham sido necessários.

Podemos reconhecer o que nasceu depois sem transformar aquilo que aconteceu antes em uma bênção.

Resistência não é romantização do sofrimento!

Clarissa usa a palavra resistência de um modo mais amplo do que simplesmente “aguentar”.

Para ela, resistir também envolve tornar-se mais firme, fortalecer-se e desenvolver recursos ao longo da travessia. Ela escreve que “não continuamos só por continuar” e que a resistência indica que algo está sendo criado.

Isso não significa:

“Quanto mais eu sofrer, mais forte vou ficar.”

Nem:

“Se eu fiquei mais forte, então aquilo foi bom para mim.”

A questão é outra.

É perguntar:

“Diante do que aconteceu, o que eu precisei desenvolver para continuar?”

Talvez tenha sido coragem.

Talvez discernimento.

Talvez limite.

Talvez capacidade de pedir ajuda.

Talvez a decisão de não aceitar novamente aquilo que um dia pareceu normal.

Dar sentido não é justificar!

Existe também uma diferença entre encontrar um sentido pessoal depois de uma experiência e dizer que ela aconteceu por um motivo determinado.

Uma pessoa pode olhar para trás e pensar:

“Depois disso, passei a perceber melhor meus limites.”

Ou:

“Aquilo mudou a forma como eu me relaciono.”

Ou ainda:

“Descobri forças em mim que eu não conhecia.”

Essas são formas de elaboração.

Mas são diferentes de afirmar:

“Isso precisava acontecer comigo.”

Nem sempre precisamos transformar a dor em destino para conseguir integrá-la à nossa história.

“Deus quis assim”

Essa frase merece cuidado especial porque, para algumas pessoas, a fé é uma fonte profunda de apoio.

Mas quando ela é usada de fora para explicar o sofrimento de alguém, pode produzir o efeito contrário.

Em vez de acolher a dor, pode encerrá-la rapidamente.

Em vez de permitir perguntas, pode sugerir que questionar aquilo seria errado.

Cada pessoa pode construir sua própria leitura espiritual sobre o que viveu. Isso é diferente de alguém determinar para ela que uma violência, uma perda ou uma injustiça “foi vontade de Deus”.

Nesse caso, talvez uma postura mais cuidadosa seja simplesmente reconhecer:

“Isso aconteceu. Foi difícil. E você precisou encontrar maneiras de continuar.”

O que pode surgir depois da ferida!

Talvez a pergunta mais útil não seja:

“Por que isso precisava acontecer?”

Mas:

“O que eu precisei aprender, proteger ou reconstruir depois disso?”

Essa mudança de pergunta retira a obrigação de transformar sofrimento em algo bom.

E, ao mesmo tempo, reconhece a capacidade humana de reconstrução.

Por isso, resumindo:

Não estamos glorificando a ferida. Estamos olhando para os recursos que podem surgir na pessoa que precisa continuar depois dela.

Isso preserva as duas verdades ao mesmo tempo:

aquilo pode ter sido injusto, doloroso ou desnecessário — e ainda assim algo pode ter sido construído depois.

Para refletir!

Você já ouviu alguma frase sobre uma experiência dolorosa que, mesmo dita com boa intenção, pareceu diminuir aquilo que você viveu?

E olhando para sua própria história:

o que você desenvolveu depois de uma experiência difícil sem precisar dizer que ela “foi boa” ou “precisava acontecer”?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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